Café com PELOTE – Entrevista: Jean Carlo Coloca

Padaria Real

Hoje o bate papo é com mais um atleta experiente, vencedor e gente finíssima!

Jean Coloca conta um pouco da sua história vencedora, desde o inicio no ciclismo, passando pela histórica equipe Caloi até os dias de hoje. Em plena atividade, continua dando trabalho no pelotão nacional… e certamente quem ganha é o ciclismo!   

Confira mais esse bate papo!




Pelote: Sabemos que você correu em inúmeras equipes, nos conte um pouco da sua história.

Jean: Eu iniciei no ciclismo correndo provas de bairro. Em 1988, na ascibikers, me destaquei e fui convidado a correr por uma academia que apoiava ciclismo acad corpus. Corri por um ano e tive vários títulos  paulistas na categoria juvenil.No ano de 1990 eu fui convidado a fazer parte da equipe Caloi. Na época, era o sonho de todos os ciclistas.O Gilson Alvaristo me integrou na equipe na categoria de base e me deu essa  oportunidades  de estar com os melhores. Em 1993 eu já havia conquistado muitos títulos nas categorias de base, tinha feito parte de seleções e etc, mas o Gilson saiu do cargo de técnico e outro assumiu.No momento que eu subiria para a categoria elite  teve essa mudança de  técnico  e eu saí do grupo. Então, em 1994, fui para uma equipe união tribike . Foi meu primeiro ano como elite. Tinha 17 anos, era muito novo. Mesmo assim, fui campeão do 100km dos jogos , 4º colocado no GP formula 1 e fiz uma temporada boa para a estreia.

 

Pelote: Dentre tantas equipes, você conseguiu correr em quase todas as principais do Brasil. Por que tantas mudanças?

Jean: Algumas mudanças aconteceram porque as equipes acabaram, outras fora em função da minha busca pelo melhor. Gosto de buscar novos desafios e – graças a algumas mudanças – eu consegui um espaço maior dentro do ciclismo. Sou muito grato à todas as equipes que passei e de todas – sem exceção – saí pela porta da frente!!! Sou muito agradecido por todos que me deram oportunidades de mostrar meu trabalho.

 

Pelote: Com tanta experiência, pensa um dia ter uma equipe só sua? Ou prefere ser técnico algum dia?

Jean: Com certeza eu sonho – sim – com esse feito. Já tive a experiência de ser capitão de equipes, de ajudar na parte técnica e na logística. Penso sim e até trabalho pra isso. Técnico não penso ser, quero  trabalhar na parte de captação de recursos, administração e marketing.

 

Pelote: Você possui uma assessoria que é divulgada em seu site (www.jeancoloca.com.br), nos conte um pouco mais sobre este trabalho.

Jean: Na verdade eu estou construindo uma consultoria, minha ideia é trabalhar juntamente com as assessorias de ciclismo. Quero muito poder estar junto com esses excelentes profissionais e professores. Acredito que, juntar minha experiência de provas, viagens, equipes e etc., com esses grandes profissionais, que tenho muita admiração e respeito, possa agregar muito!
A ideia é trabalhar com eventos, institucionais, clínicas de ciclismo, além de – claro – dar um suporte de treinamento aos ciclistas.
Hoje tenho um grupo que dou treinamento e estou muito feliz. Sou muito agradecido por poder estar junto e passar tudo que aprendi para eles.Com certeza sempre vou dar o máximo de mim!

Pelote: Qual foi a equipe mais forte em que já correu?

Jean: A equipe Scott São José dos Campos, que defendi por mais de 8 anos. Éramos um time fortíssimo. Claro, não posso falar que as outras equipes eram fracas, mas foi na Scott em que fiquei por muitos anos e colecionei muitos títulos.

 

Pelote: Como foi ser convidado a participar do revezamento da tocha Olímpica?

Jean: No primeiro momento fiquei feliz, porém, por políticas internas da Secretaria de Esportes, não tive esse privilégio. A tocha foi carregada por uma pessoa que nem atleta era , mas tudo bem, eles que tomam as decisões.

Pelote: Como é sua rotina de treinos (alimentação, exercícios e etc.)?

Jean: Alimentação: me alimento bem, sem restrições. Apenas perto de competições que tomo mais cuidado com o que como.
Treinos: antes, quando eu competia para grandes equipes e não dava consultoria, era uma rotina muito diferente de hoje. Morava em alojamentos, treinava com a equipe, tínhamos uma rotina muito intensa de treinos. Hoje tenho uma rotina bem diferente, tenho meus compromissos de treinamentos, horários e etc. Mesmo assim, consigo conciliar para competir na elite.
Exercícios: procuro fazer uma base sempre que possível.

Pelote: Você – certamente – é um dos ciclistas brasileiros mais experientes em atividade. Como é acompanhar a molecada?

Jean: O ciclismo sempre vem revelando novos talentos. De fato é muito difícil – hoje – conseguir andar na frente com esses garotos. Ainda consigo resultados porque abri mão de correr voltas e provas de etapas, então eu consigo me programar para algumas provas, mas estou trabalhando para me aposentar do ciclismo profissional já.

Pelote: Em 2016 você se lesionou. Como fará – em 2017 – para evitar novas lesões e completar mais esta temporada?

Jean: Eu abri mão de correr algumas provas em 2016 para me recuperar. Estou – em paralelo –  fazendo um trabalho de fortalecimento pra essa temporada. Agora vou ver meu calendário e definir as provas que vou participar.

Pelote: Por ter começado bem cedo, você viveu as principais evoluções nas bikes (peso, câmbios, carbono, etc.). Alguns esportes passaram por evoluções que “facilitaram”. Na sua opinião, hoje em dia é – como dizem da Formula 1 – muito mais “fácil” de pedalar (pilotar, no caso da F1) do que no seu início?

Jean: De fato, eu cheguei usar bike com pedaleiras e quadros de liga cromo-molibdênio que pesavam mais de 10 quilos. Hoje tenho uma que pesa 5,8 quilos . Com certeza, as médias horárias melhoraram e os tempos de subidas diminuíram graças à evolução do material.

Pelote: Complementando a pergunta anterior, acha que se você fosse novato hoje em dia, teria um rendimento melhor do que no passado em função das evoluções?

Jean: Não, seria igual, pois – com certeza – todos teriam os mesmos matérias pra brigar. Uma possibilidade seria as provas serem mais rápidas devido a melhoria nas bikes.

 

Pelote: Na sua opinião, qual foi a melhor mudança/evolução nas bikes?

Jean: Tudo, na verdade: os pedais impedem que os pés adormeçam, existe a facilidade das marchas na mão, as relações – hoje em dia – é muito melhor que há 20 anos atrás e os quadros estão mais rígidos e mais leves.

Pelote: O que acha de freios a disco nas “Roads”?

Jean: Eu acho sensacional, isso já deveria estar nas bikes!!! É muito melhor, você não corre o risco de acabar com os freios nas chuvas, a bike freia melhor e o principal: ao descer uma serra muito ingrime, os aros não esquentam e não tem risco de abrir as rodas ou as câmaras estourarem. Eu acho ótimo.

Pelote:  Dentro da equipe, qual a sua função (sprinter, passista, escalador)?

Jean: No início, eu tinha a função de um sprinter, mas, com passar dos anos, mudei muito meus treinamentos e passei a defender de tudo um pouco. Passei  a ser muito regular, me defendendo nas subidas e nas chegadas, então passei a ser um atleta que fazia de tudo um pouco, menos grandes voltas, que não era minha característica. Eu tive bons resultados em grandes clássicas.

Pelote: Você possui algum ídolo no ciclismo? E no esporte em geral?

Jean: Sim, mesmo com todos os problemas, eu sou fã do Lance Armstrong  e – claro – do Ayrton Senna, que sempre será nosso ídolo no esporte.

Pelote: Em 2016 você fez um intercâmbio na Europa (Espanha), fez treinos específicos por lá?

Jean: Sim, fiquei 10 dias e corri uma prova, o GP Orbea. Me preparei bem, subi uma das montanhas mais duras do mundo, o Angliru, e outras, como Lagos de Covadonga . Fui bem na prova, cheguei a andar escapado por 60 km, mas – na última serra – fui pego chegando há 3 minutos do líder. Foram 180 km com 5 montanhas.
Mas, quando voltei, tive meu problema de lombar agravado.

Pelote: Vai competir fora do país este ano? Quais competições?

Jean: Estou com planos de correr no USA, em Oregon, com meu companheiro de equipe Henrique Serra que hoje reside lá. Pretendo voltar pra Espanha em maio com o Celso Anderson da Orbea pra repetir o percurso e a prova.

Pelote: Quais são as principais dificuldades para viver de ciclismo no Brasil?

Jean: Sempre tivemos muitas dificuldades por não termos a cultura do esporte, mas – antes – as Secretarias de Esportes, empresas e etc. investiam em equipes para jogos, provas de tv, campeonatos paulistas, entre outros. Hoje, devido à crise do país, ficou ainda mais complicado pra nossa classe. A esperança é a economia melhorar. Se tiver mais provas, mais eventos, é bom para todos. Mas, infelizmente, mesmo quando a fase é boa, não ganhamos o suficiente pra ter um futuro, uma condição boa quando pararmos. A maior luta é quando sairmos do ciclismo. Agora é usar o que aprendemos para construir uma nova vida e torcer para que tenhamos oportunidades e não a jogarmos fora quando aparecerem.

 

Pelote: Qual a sua dica para os ciclistas que pretendem correr na Elite?

Jean: A elite é muito difícil, são poucos os que conseguem chegar e viver do ciclismo, mas é o auge pra todos nós! Minha dica é para não desistir. Demora um tempo para se adaptar, conseguir resultados. Precisamos ser pacientes que – com certeza – com muito treino e disciplina os resultados vão vir!

 

Pelote: Possui patrocinadores? (Espaço destinado para que você divulgue seus patrocinadores, loja, agradecimentos, etc.).

Jean: Sim, meus patrocinadores e apoiadores, que estão comigo me dando oportunidades e que agradeço muito são: BDO, StudioPier88, PicknGo!, Asteca seguros, F3 Fisio e Clínica Gaeta.

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