O doping amador

Nesse carnaval a polêmica correu no facebook por conta de uma postagem da Ciclismo Caustico, uma ampola de EPO e seringa foram encontradas em um vaso da quitanda que fica em frente a largada do famoso Pelotão do Jóquei aqui em Sampa.

 

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A primeira reação é sempre de indignação, no sentido de encontrar razão pela qual alguém se doparia para um treino amistoso entre ciclistas, sem premiação alguma ao vencedor… a não ser claro a moral de bater ombros com grandes ciclistas, então estamos primeiro aqui falando de EGO, nada mais que isso.

Nós amadores podemos até estar “tecnicamente dopados” perante a WADA simplesmente por tomar um analgésico que contenha pseudo efedrina ou mesmo alguns anti inflamatórios ou broncodilatadores, obviamente estou a falar do doping involuntário de pessoas que não vivem do esporte e para o esporte.

Mas nesse caso estamos diante de uma pessoa doente, alguém que precisa de algo para massagear seu EGO e nada vai impedi-lo de atingir seu objetivo. Penso toda pessoa tem total direito de colocar quaisquer substância em seu próprio corpo, enquanto isso eu tenho direito de condenar a busca artificial por resultados.

Mas de quanto artificial estamos a falar? Quem não conhece um amigo que fez ciclo de GH  para perder gordura e acelerar o crescimento dos músculos (e talvez de um sarcoma?) ou usou salbutamol ou efedrina como termogênico? Todos estavam em busca de um objetivo, se razoável ou não cabe a cada um escolher.

O que vale lembrar é que nem Lance Armstrong, nem Pantani, nem Ulrich chegaram onde chegaram só tomando hormônio, eles treinaram MUITO para bater um pelotão inteiro anabolizado salvo “uma ou outra exceção”, então se você quer bater guidão com os profissionais, treine, mas treine muito, tenha fisiologista, nutrólogo, faça musculação, tudo orientado por um bom técnico e ai..ai talvez se não estiver ainda no profissional você possa escolher o pesado atalho da droga e a cada derrota possa olhar para o cara do lado e pensar:

  • Perdi para um cara limpo.

Isso vai te DEMOLIR mentalmente, mesmo que na vitória você se sinta muito bem, a cada fuga, a cada sprint que você ver um carinha acelerando mais, virá a sua mente sua obrigação de vencer por estar aditivado e isso vai lhe consumir, vai lhe obrigar a buscar mais e mais desempenho artificial…e numa noite qualquer o coração pode desligar, ou você não leu a parte dos livros que contam dos ciclistas acordando a noite e indo pro rolo para aumentar os batimentos e evitar uma parada cardíaca?

 

É isso ai pessoal, liberdade acima de tudo mas um pouco de lógica e raciocínio não faz mal a ninguém.