Gent-Wevelgem 2023 – Show da Jumbo Visma

Luiz Papillon

No jogo de equipe, Wout van Aert deixa a vitória para o francês Christophe Laporte em dia de ataque de 50km nos Flandres Belga.

Wout van Aert e Christophe Laporte | Foto @Belga
Wout van Aert e Christophe Laporte | Foto @Belga

Gent-Wevelgem a corrida através dos campos de Flandres

Desde 2014 a clássica Gent-Wevelgem recebe o sobrenonme “In Flanders Fields” (nos Campos de Flandres).

A região dos Flandres belgas passou por uma completa devastação na primeira guerra mundial. As batalhas campais sepultaram todo romantismo que havia em participar de uma guerra. Um poema em específico passou a representar a dor daquele momento, o então tenente-coronel canadense John McCrae escreveu “In Flanders Fields” (Nos campos de Flandres) inspirado no funeral de um amigo morto no segundo dia de batalha em Ypres em maio de 1915.

Soldados alemães cruzam os Flandres belgas durante a Ia Guerra Mundial
Soldados alemães cruzam os Flandres belgas durante a Ia Guerra Mundial

Em 1934 aconteceu a primeira prova de ciclismo entre Gent e Wevelgem, nos anos 50,60 e 70 ídolos como Eddy Merckx e Rik Van Looy venceram a prova enquanto após a década de 80 mais e mais velocistas foram se destacando como Mario Cipollini. Desde 2011 no WorldTour a prova passou a ser um queda de braço entre ciclistas clássicos e velocistas com vitórias de Peter Sagan, Greg Van Avermaert, Mads Pedersen e Wout van Aert entre outros. No ano passado, Biniam Girmay foi o vencedor tornando-se o primeiro negro africano a vencer uma prova no nível mais alto do ciclismo mundial.

Biniam Girmay vence Gent Wevelgem 2022 | Foto @Belga
Biniam Girmay vence Gent Wevelgem 2022 | Foto @Belga

 

Os Hellingen e a disputa entre velocistas e clássicos

Com 150km quase planos a prova pega fogo mesmo na entrada dos Hellingen (subidas curtas e duras), trecho onde mais sofrem os velocistas e a 34,5km do final  vira caça do gato ao rato com o pelote acelerando e tentando neutralizar os escapados.

É nessa hora que a composição do grupo da frente faz a diferença, e a “politicagem” pode dar chance aos velocistas. Entre os favoritos está Wout van Aert que venceu a E3 Saxo durante a semana e tem uma equipe fortíssima. Biniam Girmay não está tão forte como no ano passado mas sua equipe promete o esquema “dedicação total a você”. O fortíssimo dinamarquês Mads Pedersen pode estar tanto no grupo escapado como disputar um sprint. Entre os velocistas destaque para os belgas Jasper Philipsen e Tim Merlier respectivamente pela Alpecin e Soudal e para a dupla Arnaud de Lie e Caleb Ewan pela Lotto.

Wout van Aert o mais forte ataca a 53km do final

Após 200km com tempo ruim e chuva, o pelote já estava reduzido a menos da metade. E na segunda passagem pelo Kemmelberg, Wout van Aert botou fogo na prova e a dupla logo construiu uma vantagem confortável. Na última passagem pelo Kemmelberg, Wout acelerou e mostrou para todos que poderia deixar Laporte para trás se quisesse, ou se a equipe assim desejasse.

A dupla seguiu junta até que começaram a conversar no quilômetro final e Laporte cruzou alguns centimetros a frente de seu capitão apontado para Wout, tal qual na E3 de 2022. Dois minutos depois, Sep Vanmarcke venceu um sprint pelo terceiro lugar.

1 LAPORTE Christophe (Jumbo-Visma)

2. VAN AERT Wout (Jumbo-Visma)

3. VANMARCKE Set (Israel – Premier Tech) +1:56

4. FRISON Frederik (Lotto Dstny)

5. PEDERSEN Mads (Trek – Segafredo)

6. BJERG Mikkel (EAU Team Emirates)

7. RENARD Alexis (Cofidis) +2:04

8. KOOIJ Olav (Jumbo-Visma)

9. VAN POPPEL Danny (BORA – Hansgrohe)

10. MCLAY Daniel (Equipe Arkea Samsic)

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