Jean-Pierre Monseré, o único que morreu vestindo a camisa arco-íris

Luiz Papillon

Nesta semana a Bélgica saúda Jean-Pierre Monseré, o único ciclista que morreu vestindo a camisa arco-íris de campeão mundial. A prova GP Jean-Pierre Monseré marca também o retorno ao ciclismo de Fabio Jakobsen, o holandês que quase morreu na abertura do Tour da Polônia ano passado.

Fabio Jakobsen vence o GP Jean Pierre Monseré | Foto Kramon
Fabio Jakobsen vence o GP Jean Pierre Monseré | Foto Kramon

O GP Jean-Pierre Monseré

A prova que homenageia Jempi Monseré é organizada pelo clube De Zonnestraal, sendo realizada desde 2012. Teve como vencedor em 2020, Fabio Jakobsen, sua última prova antes do trágico acidente no Tour da Polônia. Agora serve com redenção com retorno do ciclista holandês ao circuito profissional após uma longa e dura recuperação.

Jean-Pierre Monseré

O ano é 1970, a seleção belga tinha nomes do olimpo do ciclismo mundial: Eddy Merckx e Roger de Vlaeminck. O jovem Monseré havia sido terceiro no campeonato belga e trazia ainda um sexto lugar nos jogos olímpicos do México. O mundial de ciclismo de 1970 aconteceu em Leicester no Reino Unido.

Restando sessenta quilômetros para o final, o italiano Felice Gimondi atacou e Monseré respondeu pelo time belga. Com a fuga formada e Monseré nela, o capitão do time belga e então campeão do Giro e do Tour, Eddy Merckx, optou por não perseguir a fuga. Na chegada, um ciclista saltou atacando, era Jean-Pierre, que não mais foi alcançado e venceu seu título mundial.

“Ele não era um estreante comum. A facilidade com que pilotava, Jempi tinha mais do que os outros, ele tinha a cabeça de um campeão” disse Merckx.

A TV belga fez um documentário sobre Monseré e nele outra estrela contemporânea de Monseré comentou:

“Ele podia fazer qualquer coisa, era um super-talento. Jempi era um dos mais rápidos no sprint, ele também era muito bom nas subidas e no contra relógio. Ele realmente podia fazer qualquer coisa.” Roger De Vlaeminck.

Jean-Pierre Monseré recebendo o título mundial em 1970 | Foto Arquivo @Belga
Jean-Pierre Monseré recebendo o título mundial em 1970 | Foto Arquivo @Belga

Com o surgimento meteórico, a comparação com Eddy Merckx era uma questão de tempo, e logo os comentaristas passaram a questionar se o jovem poderia alterar o reinado de Merckx. Porém o destino…

A sucessão de tragédias começou com a morte do pai de Jean-Pierre, Achiel Monseré que faleceu dez dias após a conquista do mundial pelo filho. Achiel que era paciente cardíaco, não podia beber e exagerou na comemoração do título do filho, falecendo de parada cardíaca.

Uma Kermesse sem muito destaque, uma chance de mostrar a camisa arco-íris

A obra do destino não para por ai, não estava prevista a participação de Monseré na Kermesse Jaarmarktprijs em Retie na Bélgica. Todo o foco do campeão estava na Milão Sanremo. Mas ele queria vencer, queria mostrar sua camisa arco-íris na Bélgica. Sua equipe Mars-Flandria tinha De Vlaeminck e Monseré, e ambos queriam ser capitães na Milão Sanremo. Assim o diretor esportivo da Mars-Flandria encontrou um modo de convencer ambos a disputarem a Kermesse: Quem fosse melhor em Retie seria o capitão na Milão Sanremo.

Em março de 1971,após vencer a Volta a Andaluzia, Monseré competiu na prova no GP Jaarmarktprijs e na estrada que liga Lille a Gierle, uma mulher entrou com um carro na contramão dos ciclistas.

“Ventava muito, o pelote estava quebrado e uma hora Jean-Pierre deixou a ponta do grupo, havia cumprido sua tarefa e ficava para o fundo do pelote. Veio então a mulher pela contramão com um carro. O que aconteceu que Jean-Pierre não a viu? Ninguém sabe. Todo mundo desviou do carro, mas Jempi bateu e entrou pelo para-brisas, fatal.”Freddy Maertens.

Anne Victor, viúva de Monseré costumava viajar com o marido para as provas, mas dessa vez ela havia ficado em casa. Monseré estava inscrito para a Milão Sanremo e Anne estava fazendo a mala do campeão quando ouviu pelo rádio:

“Era dia quinze, as três da tarde e o rádio entrou em edição extraordinária contando que o campeão mundial havia morrido. Foi assim que soube, pelo rádio.” Anne Victor Monseré, viúva.

Jean-Pierre Monseré, a esposa Annie e o filho Giovanni cumprimentam os fãs da janela e calha do sótão. © Repro Maxime Petit
Jean-Pierre Monseré, a esposa Annie e o filho Giovanni cumprimentam os fãs da janela e calha do sótão. | Foto: Repro Maxime Petit

A equipe Mars-Flandria seguiu para Milão Sanremo, participando normalmente da prova. Eddy Merckx voltou a tempo de colocar as flores que recebeu pela vitória na Milão Sanremo sobre o caixão de Monseré. A medalha de campeão mundial de Monseré está exposta no museu do ciclismo em Roeselare. Você pode visitar virtualmente o museu clicando aqui.

 

Giovanni Monseré morreu com o pai

Monseré deixou além da viúva, o filho Giovanni então com dois anos. Após seu batizado Giovanni ganhou de  seu padrinho Freddy Maertens, uma bicicleta. E vestindo uma camisa arco-íris igual a do pai, morreu brincando com amigos ao colidir com um carro que cruzou uma rua, Giovanni tinha sete anos de idade. Ele foi enterrado ao lado do túmulo do pai em Roeselare.

 

Confira o documentário em homenagem a Jempi Monseré, que serviu de base para esse texto.

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