Canibal vence Rachão do Milão em São Paulo

Luiz Papillon 2

A prova do Rachão do Milão em São Paulo foi vencida por João Marcelo Gaspar o Canibal. O ciclista sul-mato-grossense de 27 anos ganhou a prova seguido por Lauro Chaman e Fernando Mota. O pódio final contou ainda com o veterano Fabiele e Kleber Ramos o Bozó.

Rachão do Milão vive momentos de tensão e alivio no final

Com a via expressa da marginal Pinheiros interditada devido a uma prova de pedestres, a prova precisou ser neutralizada nos primeiros 30km de extensão. O retorno até a ponte Roberto Zuccolo foi bastante complicado devido o trânsito intenso na via local. Assim a prova pegou fogo mesmo após esse trecho. Alguns acidentes aconteceram durante o trajeto, carros de apoio de uma loja especializada em artigos militares serviu de “carro vassoura” recolhendo sobrados e feridos.

O trajeto de 100km teve cinco metas volantes e a transmissão foi parcialmente feita pelo organizador da prova, Roberto Zanata via Facebook. Até o momento em que a transmissão foi interrompida com a Policia Militar detendo Zanata. Após cerca de 1h Zanata foi liberado e aconteceu a premiação com muita festa na região do Morumbi.

Praça com público acompanhando a premiação | Luiz Papillon – Pelote Ciclismo

Na raça, na coragem a ousadia de Roberto Zanata

Com apoio de pequenas empresas, lojistas e até de equipes de ciclismo, Roberto Zanata organizou mais um Rachão do Milão. A prova não tem chancela oficial, assim não tem escolta oficial ou fechamento de vias públicas. Zanata relatou que passou os últimos seis meses organizando, porém não obteve chancela oficial. Neste domingo aconteceram também em São Paulo a prova de Stock Car no autódromo de Interlagos e a Corrida pela Cidadania (na Marginal Pinheiros) e a corrida Circuito das Estações na região da Barra Funda e Memorial da América Latina.

Todas essas provas movimentando a cidade e uma competição extra-oficial de ciclismo nas Marginais. Isso motivou ação da Policia Militar que não interrompeu a prova e não parou nenhum ciclista. Porém abordou carros das equipes e os motociclistas que acompanharam a prova. O motivo, claro a proibição da circulação de motos na via expressa. Durante a abordagem ao carro da Velo 48 pudemos acompanhar o PM sacando sua arma e apontando para os integrantes da equipe.

PM no momento em que saca arma em abordagem ao carro da equipe Velo 48 | Captura Facebook

Na passagem do Cebolão que dá acesso a marginal Pinheiros, foi a vez de Zanata ser parado. Logo depois foi liberado e efetuou a distribuição dos prêmios de meta volante e aos vencedoras das categorias elite e open pro.

O limite da razão

Zanata foi aclamado como herói em sua chegada. Como um Robin Hood que entrega aos ciclistas algo de qual eles são privados, que são provas nas principais vias de uma metrópole. Raras são as provas em qualquer lugar do mundo em que uma via como as Marginais de São Paulo são fechadas para uma prova de ciclismo. Mesmo clássicas no “país do ciclismo” que é a Bélgica não entram nas grandes vias e cidades. Há um conflito de interesses muito grande. No Brasil a coisa é muito, mas muito mais complicada.

O poder público diz “você pode fazer se cumprir os requisitos necessários”. E a prática é que ninguém nunca vai cumprir tais requisitos. Com isso a prática do ciclismo de estrada fica extremamente marginalizado, retratei isso no texto abaixo:

https://www.pelote.com.br/os-marginais-esportistas-ocupando-o-espaco-urbano/

Âmbito Esportivo: Vencedor está suspenso por uso de substância proibida

Um dos pontos que a prova não oficial acaba permitindo é a disputa por atletas suspensos. Assim no pódio tivemos dois ciclistas oficialmente suspensos pelo uso de substância proibida, o doping. O vencedor João Marcelo Gaspar o Canibal, está suspenso até julho de 2020 pelo uso de CERA. Kleber Ramos o Bozó, quinto colocado também está suspenso até agosto de 2020 pelo uso da substância CERA. Além deles participaram da prova Antonio Nascimento o Tonho, suspenso até setembro de 2020 e Alex Arseno suspenso até setembro de 2023.

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