Amstel Gold Race além da cerveja e da corrida!

Luiz Papillon

Amanhã acontece a 54ª Amstel Gold Race, prova do circuito mundial de ciclismo (World Tour) que acontece na região do Limburgo na Holanda. Mas antes de falar da prova destaco algo além da competição. A prova de ciclismo em si movimenta muito o comércio e setor de serviços da região que ocorre, porém isso é raramente mostrado para o público.

Mais que uma prova, um evento econômico

Uma pesquisa econômica revelou que a Amstel Gold Race de 2018 movimentou mais de 20 milhões de euros na região onde aconteceu. Mostrando que a prova não é apenas uma corrida mas um evento importante para a região. São hotéis, bares, restaurantes e todo comercio local que ganha com a prova. Enquanto você lê esse texto, cerca de 15.000 ciclistas completam as provas satélites para amadores na Amstel Gold Race.

Por falar em evento econômico, já notou que a prova tem o nome do principal patrocinador, a cervejaria Amstel. Curiosamente a cervejaria não mais produz cerveja em Mastrique (versão aportuguesada para o neerlandês: Maastricht). Desde 1968 a marca Amstel pertence a também holandesa Heineken e a produção em Mastrique cessou em 1982.

Nem paralelos nem serras Ardenas, uma prova única e holandesa!

A primeira edição da Amstel Gold Race teve 302km devido a erros de cálculo e desvios com 120 ciclistas disputando e apenas 30 concluindo. Por muitos anos a prova teve dificuldade de atrair ciclistas justamente pela data, entre a Paris Roubaix e a Liege-Bastgone-Liege. Nos anos 90 a prova mudou a chegada para Mastrique onde Lance Armstrong perdeu duas vezes em sprint para Michael Boogerd e Erik Dekker. Já neste século o final da prova mudou duas vezes, primeiro para logo após a subida do Calberg e recentemente para 19km após a subida, garantindo uma prova mais aberta.

Apesar do Limburgo não ser nas Ardenas, a prova representa o início das provas Ardenas. As provas ardenas são a Amstel Gold Race, a Fleche Wallone e a Liege Bastogne Liege. Assim podemos definir a Amstel Gold como uma prova de ligação, entre o fim da temporada de provas de paralelepípedo e o início de provas com subidas duras e curtas nas Ardenas.

Philippe Gilbert igualará recorde?

Julian Alaphilippe e Philippe Gilbert

Assim que deixamos os paralelepípedos para trás, mudamos o estilo dos favoritos. Mas justamente o vencedor da Paris Roubaix de 2019 é o grande favorito para a Amstel Gold Race: Philippe Gilbert. O veterano belga já venceu por quatro vezes a prova holandesa e está a uma vitória de igualar o recorde de Jan Raas com cinco triunfos. Três ou quatro anos atrás eu casaria alguns euros na vitória de Gilbert. Atualmente ele precisa de algo o mais para vencer como os ataques de Politt em Roubaix. Apesar da força do nome e qualidade, não é meu favorito.

Favoritos

Para vencer o ciclista não pode ser um sprinter nato pois não passa bem as 23 subidas da prova. E também não pode ser leve como um escalador pois pode ter de disputar um sprint contra quatro ou cinco ciclistas.

Assim o perfil do vencedor mistura o ciclistas clássico com o super gregário. Dai tiramos por exemplo as vitórias de Roman Kreuziger, Frank Scheleck, Davide Rebellin e Michal Kwiatkowski. Além do já citado Gilbert, destaco como favoritos:

Julian Alaphilippe, o francês da Deceuninck tem a “cara” da prova, só resta saber se disputará a vitória ou ficará em uma estratégia por Philippe Gilbert.

Michael Matthews, o australiano da Sunweb vem numa crescente na temporada. Matthews foi 12º na abertura das clássicas na Omloop e fez sexto lugar na Ronde e quarto na De Brabantse Pijl.

Alejandro Valverde, o campeão mundial da Movistar foi sétimo na Milão Sanremo e oitavo na Ronde e agora encontra seu trajeto predileto.

Peter Sagan, o eslovaco tricampeão mundial só venceu uma prova na temporada. Um sprint no Tour Down Under em janeiro. De lá para cá enfrentou um problema de saúde que atrapalhou seu desenvolvimento na temporada. Ainda assim Sagan foi quinto na Paris-Roubaix e décimo primeiro na Ronde.

Coqueluche holandesa com Mathieu Van der Poel

Além deles, destaco dois super favoritos que são Wout Van Aert em sua primeira temporada completa no ciclismo profissional. E Mathieu Van der Poel, o holandês que vem mostrando enorme qualidade e reluta em deixar o ciclocross pelo ciclismo profissional. Aqui do sofá torcerei para que dê zebra.

Troféu Herman Krott e premiação

O fundador da Amstel Gold Race foi Herman Krott, falecido em 2010. Desde então a organização entrega o troféu com seu nome para o ciclista mais combativo da prova. Em 2018 foi Oscar Riesebeek quem recebeu a honra. A prova masculina entrega um total de €40.000 em premiação, sendo €16.000 ao vencedor.

Participam da prova todas as equipes WorldTour da primeira divisão do ciclismo e as equipes continentais convidadas:

  • Bardiani CSF
  • Corendon – Circus
  • Israel Cycling Academy
  • Roompot Charles
  • Sport Vlaanderen Baloise
  • Vital Concept
  • Wanty – Gobert

Prova Feminina

Equipe Boels Dolmans

A prova feminina distribui €10.000 euros no total em premiação, sendo €2.500 para a vencedora. Anna Van der Breggen e Chantal Blaak, ambas da Boels Dolmans já venceram a prova. Lucinda Brand, Amanda Spratt e Elizabeth Deignan são algumas das principais favoritas.

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