Café com PELOTE – Entrevista: Antônio Nascimento “Tonho”

Batemos um papo rápido com Antônio Nascimento, mais conhecido no pelotão nacional como “Tonho”, sobre sua carreira, treinos, planos, expectativas e futuro do ciclismo nacional.

Tonho é um dos ciclistas mais experientes em atividade do ciclismo nacional e ainda briga de igual por igual com os jovens da categoria. Nessa conversa ele deu dicas de como se manter em alto nível aos 39 anos de idade!

Confere aí!

 

Pelote: Conte um pouco da sua história no ciclismo. Inicio, equipes, títulos, vitórias, equipes…

Tonho: Comecei no ciclismo no dia 1º de maio de 1994, um dia que ficou marcado na minha vida em função do acidente que matou meu grande ídolo, Ayrton Senna.

Comecei por incentivo do meu irmão, que já praticava a modalidade, mas que viu em mim a paixão pela bicicleta até mesmo antes disso tudo! Tanto que, quando teve oportunidade, comprou uma nova e me deu de presente a sua antiga.

Inicialmente, competi na equipe de Guarulhos. Fiquei nessa equipe por 8 anos e nela obtive alguns títulos nacionais e internacionais, como o Torneio de Verão e o Vice-campeonato da Volta Internacional de Santa Catarina.

Em 2003, cheguei a Memorial Santos, equipe que defendi por mais 8 anos!

Na Memorial Santos consegui me consolidar no cenário Nacional e Internacional, obtendo conquistas inesquecíveis em minha carreira: o Bicampeonato do Torneio de Verão, Campeão da Volta Internacional de Santa Catarina e a tradicional Volta do estado de São Paulo, entre outros títulos.

Posso assegurar que foi a equipe que mais cresci, aprendi e fui feliz em todos os sentidos. Tínhamos um time muito único, como uma famíliae a vitória era o fruto dessa parceria e união.

Em 2011 cheguei a Funvic, equipe renomada na atualidade, na qual me senti bastante a vontade, pois em função da estrada percorrida ao longo dos anos, conhecia todos os integrantes e tinha (ainda tenho) amizade com todos, sem exceções!

Foi um novo recomeço, uma mudança de ar! Os resultados logo apareceram.

Ganhei algumas provas clássicas do calendário nacional e obtive conquistas em provas internacionais.

Ganhei o famoso Giro do Interior Paulista, fui campeão de montanha do tour do Rio, liderei a volta do estado de São Paulo e venci uma etapa, liderei a Volta do Rio Grande do Sul, entre outros resultados em mais eventos.

A minha transição para a equipe Osasco Cycling Team aconteceu em 2014, quando fiz parte de toda formação do time. Aqui tenho toda liberdade e autonomia para introduzir todo o meu conhecimento na formação de atletas que buscam oportunidade de ingressar no ciclismo como profissão.

Tenho muito orgulho de como a equipe vem crescendo e todas a suas conquistas ao longo destes 3 anos que se passaram desde a formação.

Pela Osasco Cycling Team obtive uma conquista importante no cenário nacional, O famoso Circuito Boa Vista Tupy de ciclismo em Joinville Santa Catarina. Prova que venci por 2 anos consecutivos, 2015 e 2016.

 

Pelote: Como foi correr em uma das maiores equipes do Brasil (Funvic)?

Tonho: Foi uma experiência incrível, pois fiz parte da formação de um time que hoje alcança patamares bem altos.

 

Pelote: Como é ser ciclista no país do futebol?

Tonho: Na verdade, a pergunta já não condiz com a realidade atual do futebol brasileiro, que está longe de ser “aquele futebol”!

Entretanto, é bem difícil, não só para nós ciclistas e sim para todas as outras modalidades.

Falta investimento, transparência e honestidade na modalidade, o que dificulta o crescimento e renovação do esporte.

 

Pelote: É possível viver apenas do ciclismo profissional no Brasil?

Tonho: Já foi possível, hoje não sei! Estamos atravessando uma dura realidade, resultado de uma série de fatores ruins, em que não sabemos sequer se terão equipes para a temporada seguinte.

 

Pelote: Na sua opinião, como é possível manter um bom rendimento estando acima de 35 anos?

Tonho: Tudo que consigo fazer hoje em cima da bicicleta é resultando de uma vida bem tranquila, de entender que o meu corpo é minha ferramenta de trabalho e que tenho que cuidar bem dele.

Isso foi o que me deu longevidade até hoje, com 39 anos (de idade) no ciclismo.

 

Pelote: Você pensa em aposentadoria? O que espera fazer após “pendurar as sapatilhas”?

Tonho: Na verdade, já tive o pensamento sim, porém eu vou encarar mais uma temporada!

Como já trabalho no comércio de bicicletas paralelamente ao ciclismo, a ideia é continuar nesse segmento.

Talvez – em futuro próximo – eu me envolva em competições novamente, mas nos bastidores!

 

Pelote: Como é sua rotina de treinos (alimentação, exercícios e etc.)?

Tonho: Meus treinos são diários e pela manhã: 6 dias por semana, duram aproximadamente 4 a 6 horas e foco na preparação em especifico. Uma boa alimentação é fundamental para uma boa recuperação e um bom descanso pós treino.

 

Pelote: Possui patrocinadores? Deixe seu agradecimento.

Tonho: Sim. Osasco Cycling Team / Abus / Cultura Bike / Chá Mais.

Obrigado por acreditar e possibilitar o meu trabalho, sem vocês tudo isso seria impossível!!!

2 thoughts on “Café com PELOTE – Entrevista: Antônio Nascimento “Tonho””

  1. E um dos melhores exemplo a ser seguido …como pessoa …..como atleta …e como serumano …sem duvida é meu espelho e de milhares ciclistas do brasil

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