Anatomia da Vitória: Mathieu Van der Poel e o Cornetacast #2

Luiz Papillon

O mundo do ciclismo só fala em uma pessoa em seu grande ato, claro falo de Mathieu Van der Poel e sua vitória na Amstel Gold Race. Você pode rever os melhores momentos e saber mais sobre a prova aqui. Comentaristas, jornalistas, ex-ciclistas e profissionais do circuito mundial não economizaram elogios:

“Eu assisti ao final logo após a conferência de imprensa ontem, van der Poel foi impressionante. Eu não corri contra ele e para ser honesto eu não sei muito sobre ele, mas claramente ele é talentoso” declarou o multi-campeão do Tour de France, Chris Froome

“Eu amo o modo como ele corre. Ele é um fenômeno, mais do que um crosser ele é alguém que consegue fazer de tudo bem. Eu estou feliz que ele também esta na estrada” Julian Alaphilippe

“Eu gosto dele porque ele também é humilde. Alguns do pelote tem inveja dos grandes nomes porque eles tem toda atenção, todas oportunidade de vencer e ganham muito dinheiro, mas Van der Poel é amigável e humilde. Isso significa que ele tem um talento especial e tem os genes e o potencial para tornar-se um real campione como dizemos na Itália.” Elogiou Giovani Visconti.

CornetaCast o Podcast do ciclismo

Ontem junto com membros membros da mídia especializada em ciclismo gravei a segunda edição do Cornetacast, um podcast que discute exatamente aspectos não só da vitória de Mathieu Van der Poel como também como ele venceu. Confira:

O Cornetacast é uma realização em conjunto de:

 

Anatomia da Amstel Gold Race

A prova foi relativamente tranquila até a marca de 40km para o final quando a 40km do fim Van der Poel tantou um ataque e foi seguido por Gorka Izaguirre. Gorka ficou de roda (sem colaborar) e a dupla foi neutralizada alguns quilômetros depois. O movimento serviu para abrir as hostilidades e então o pelote começou a se desfazer. Na subida seguinte foi a vez de Alaphilippe e logo a seguir Matteo Trentin e Jakob Flugsang. Mais alguns minutos e Kwiatkowski atacou com Michael Woods contudo o ritmo insano foi minando alguns ciclistas. Assim logo ficaram Alaphilippe e Flugsang na ponta com Kwiatkowski e Trentin na perseguição.  U minuto atrás vinha o grupo com Van der Poel.

Quando entraram pelos dois quilômetros finais, parecia que a história da Strade Bianchi aconteceria novamente, e ai aconteceu o erro fatal. Os diretores esportivos deram como tranquila a vantagem e não avisaram via rádio a dupla, assim quando abriram o quilômetro final Kwiatkowski vinha como uma locomotiva perseguindo a dupla. Mais atrás um fenômeno, Van der Poel puxava um grupo que avançava velozmente. Os números de potência depois revelaram que Van der Poel aplicou 830w em média com 1400w no pico do sprint de 800m. Tudo isso após 267km de prova! E assim o grupo atropelou os escapados para vitória do holandês.

Anatomia da Vitória de Mathieu Van der Poel

São poucas provas com a história da Amstel Gold Race 2019. O simbolismo começa 29 anos atrás na vitória do pai de Mathieu, Adrie na mesma prova e com semelhança. Adrie venceu a prova vindo do pelote que atropelou a fuga, vencendo de modo memorável. Seu filho fez mais, muito mais.

Temporada alienígena de Van der Poel

Para tentar explicar o que vimos na Amstel Gold Race é preciso voltar ao final da temporada passada. Cortejado por diversas equipes do ciclismo profissional, Van der Poel traçou um plano e o vem cumprindo sem desvio. Em agosto assinou contrato com a pequena Corendon-Circus até 2023, colocando um balde de água em quem o desejava já para 2019. Escolheu o caminho, primeiro o ciclo-cross, depois a temporada de clássicas, mountain bike cross-country como preparação para os jogos olímpicos de Tóquio e novamente o ciclo-cross.

Veio a campanha de ciclo-cross e Van der Poel venceu 32 entre 35 corridas disputadas, incluindo ai o título mundial e seis das nove etapas da copa do mundo de ciclo-cross. Após vencer o mundial de ciclo-cross, o holandês correu a volta a Antalya na Turquia vencendo já a primeira etapa. Nas clássicas teve de optar por algumas provas já que sua pequena Corendon Circus não foi convidada para provas da A.S.O. como Paris Roubaix. A campanha foi impressionante, vitória no GP de Denain na França, 4º lugar na Gent Wevelgem e na Ronde van Vlaanderen e vitória na Dwars door Vlaanderen, De Brabantse Pijl e Amstel Gold Race.

O futuro: jogos olímpicos e a espera por uma proposta alta

Um desempenho assim não poderia passar desapercebido e muitas equipes já o procuraram. A primeira foi a a Deceuninck Quick Step onde seu pai correu. Surgiu então o primeiro problema, dinheiro! Van der Poel ganha mais de um milhão de euros na temporada de ciclo-cross, isso fora patrocínios. Assim correr na estrada é quase um passatempo, portanto para o tirar de seu plano alguns dígitos precisam mudar. Estamos falando de salários na ordem de dois a três milhões de euros por temporada, um pouco abaixo de ícones como Peter Sagan, Froome e Nibali e acima por exemplo do salário de Alejandro Valverde.

Quem dará mais? Qual equipe tem a estrutura necessária para atrair Van der Poel. E mais, qual equipe poderá dispor de um ciclista tão forte que dividirá provas de ciclismo com o ciclo-cross e MTB Cross Country?

Qualquer palpite será pura especulação. É mais coerente esperarmos o fim do jogos olímpicos para ver a valorização de Mathieu.

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