Froome o injustiçado!

Ontem acabou o Tour de France 2017, e ao longo dele muita torcida contra a Sky e Froome, os motivos da aversão a dupla de maior sucesso do ciclismo passam pela a comparação com a extinta equipe USPS de Lance Armstrong que venceu sete vezes o Tour de France e posteriormente teve seus títulos cassados por doping, também passa pela falta de agressividade de Froome em relação aos oponentes mantendo sempre seu ritmo e tendo por trás de si a máquina vencedora da Sky. Acaso? Oportunidade? Pode-se fazer várias ilações sobre a Sky e seus métodos de vitória mas jamais atribuir ao acaso, ninguém ganha cinco edições do Tour de France por acaso, assim como Froome não ganhou por acaso seus quatro títulos.

A Sky venceu o tour não só com Froome, mas com uma precisa e cara máquina de vencer, teve Mikel Landa que apesar do espernear por ter sido seguro em duas etapas, perderia para Froome se estivesse no embate por outra equipe, teve Mikel Nieve que pouco se ouviu falar durante as transmissões fazendo um trabalho fundamental inclusive para Landa, pois era o segundo gregário da equipe que escalava sempre com Kwiatokowski, Henao, Nieve e Landa nessa ordem, na parte mais plana além da locomotiva polonesa teve o bielorusso Vasili Kiryienka que esticou o pelote para buscar fugas.

O fato é que não estamos mais nos anos 70 onde um homem poderia fazer toda diferença ou na era do EPO onde haviam ataques monstruosos dia após dia, nos tempos atuais o conhecimento sobre o desempenho de cada atleta é muito grande, e assim pode-se determinar a melhor forma de subir uma montanha mais rápido ou na velocidade mais adequada, ataques que antes demoliam os rivais como os de Alberto Contador hoje não passam de voo de galinha, onde quem ataca abre 100m e depois é neutralizado por um grupo que sabe que aquele ataque não será sustentado por mais de um minuto.

Mesmo no Reino Unido Froome não é unanimidade, em um país que levou quase 100 anos para vencer o primeiro Tour de France, o pessoal acabou se acostumando a vitórias no ciclismo, primeiro com as duzias de medalhas de Chris Hoy, Bradley Wiggins, com as inúmeras vitórias de Mark Cavendish, se depararam com um humano esquálido, magérrimo nascido no Quênia que não desfila com namoradas modelo, não usa carrões conversíveis e não tem um batalhão de assessores escrevendo suas entrevistas ou empurrando fãs. Chris Froome é normal demais para uma super estrela, suas entrevistas contidas com bom humor e referências a família e respeito aos colegas ficam longe de atrair mídia e criar polêmica como Peter Sagan beliscando o bumbum de uma modelo ou Mark Cavendish tendo de explicar seus enrosco num sprint.

Seu foco em suportar psicologicamente ataques e pressão de adversários para no seu ritmo seguir morro acima é incrível, ninguém ganha o Tour de France por quatro vezes a toa, antes do estrelato Froome foi também responsável por levar Bradley Wiggins morro acima como super gregário. Froome tem o perfil de um vencedor de grande volta, embora com resultados discretos na Vuelta (foi vice por três vezes) e apenas duas participações no Giro, sendo desclassificado em 2010 por agarrar uma moto no Mortirollo, estava sobrado e com o joelho lesionado, algo que hoje os organizadores costumam fechar os olhos para o fato.

Froome de 32 anos dificilmente vencerá corridas como a Paris Roubaix ou o campeonato mundial, Froome não é um escalador nato como Contador ou Quintana para alta montanha, mas com seu 1,86m e 69kg e a capacidade de manter potência em alto nível o fazem um ciclista de média montanha quase insuperável, Froome tem um FTP em torno de 430w, equivalentes a 6,1w/kg e consegue sustentar um ataque de 530w por um minuto:

Ao contrário de muitos escaladores, Froome tem um contra relógio excepcional, basta lembrar que na 20ª Etapa em Marselha, chegou apenas 27″ a frente de Romain Bardet e colocou mais de dois minutos em cima do francês e isso com apenas 40km de contra relógio individual nesta edição, 60km a menos por exemplo que a edição de 2012.

Podemos notar como Froome mudou a forma de competir, em 2013 e 2015 ele atacou  nos Pirineus e no Mont Ventoux impondo perdas severas aos adversários diretos, enquanto nas edições 2016 e 2017 Froome teve habilidade em se adaptar a disputa como nenhum outro nos últimos anos, chuva, paralelepípedos, ventos cruzados, contra relógio, em todas modalidades de disputa, Froome conseguiu se adaptar bem e isso o faz um piloto único, a receita do seu sucesso passa pela somatória de todos esses elementos, pelo fato de que Froome sabe se preservar, evitando quedas como de seu ex-gregário Richie Porte no Tour deste ano. Froome um campeão a ser reverenciado!

 

 

 

 

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