Sexismo no Ciclismo: Emma O’Reilly x Lance Armstrong

Neste segundo texto sobre o sexismo no ciclismo, cito um caso onde uma mulher foi assediada moral e socialmente. Falo de uma das primeiras pessoas que acusaram Lance Armstrong de trapaça, Emma O’Reilly. O intuito dessa publicação é reafirmar a necessidade de evolução do nosso esporte no respeito a mulher. Nosso primeiro texto foi um presente da comentarista Estela Farah e pode ser lido abaixo:

https://www.pelote.com.br/o-dia-das-mulheres-e-o-sexismo-no-ciclismo/

Emma O’Reilly

Publicamente chamada de prostituta, bêbada e mentirosa a irlandesa Emma O’Reilly encarou face a face o poder da mídia. Falo claro do mais famoso caso de doping da história do ciclismo: Lance Armstrong. Teriam jornalistas, comentaristas do mundo todo utilizado o tipo de insinuação e mentira para com outro soigneur que fosse do sexo masculino? Não é preciso ser detetive para saber que não. O sexismo entra exatamente nesse ponto. Quando alguém quer ofender um profissional masculino no ciclismo, existem diversos padrões, o sujeito é chamado de dopado, vendido e incompetente. Por outro lado as profissionais são chamadas de prostituta, vadia, namoradeira, maria sapatilha… É ai que entra o sexismo e é abominável.

A definição de soigneur é assistente. É aquele “anjo” que cuida da vida do ciclista dentro da equipe preparando refeições, separando uniformes, enfiem alguém que resolva problemas. E definitivamente esconder ou ministrar elementos dopantes para um ciclista não é uma dessas funções.

Quatro temporadas na equipe USPS

Emma começou o trabalho de soigneur como voluntária na seleção irlandesa entre 1989 e 1993, depois passou pela americana Shaklee entre 1994 e 1995 e finalmente na USPS de 1996 a 2000. Não vou me alongar entrando nos casos de doping, isso é assunto para outra postagem. Emma estava no olho do furacão e foi a informante para o jornalista David Walsh divulgar as suspeitas de doping. Walsh e o jornal Sunday Times jogaram Emma aos leões em 2004 no auge da “era Armstrong”.

Estimuladas por um agressivo Armstrong, jornalistas, fãs e comentaristas foram utilizando todo tipo de agressão e assédio moral para Emma. Alcoólatra, prostituta, mentirosa eram as principais acusações.

O jogo só passou a virar em 2012 quando a USADA (Agência Anti-doping americana) publicou uma série de provas e evidências do doping sistemático na equipe USPS.  Emma testemunhou no processo, entre os testemunhos ela descreve como atuou no esquema de dopagem. Desde receber um pacote com testosterona para George Hincapie, passando por cuidados com a temperatura para armazenagem das drogas até cuidar e maquiar marcas de seringa nos braços dos ciclistas.

O tempo provou que Emma falava nada mais que a verdade mas isso de pouco importa, o inferno havia passado por sua vida e sequer imagino a pressão que ocorreria hoje com as redes sociais tão desenvolvidas. Armstrong publicamente pediu desculpas:

“Ela é uma das pessoas que eu tenho que me desculpar” disse Armstrong em sua confissão para apresentadora Oprah Winfrey.

Atualmente Emma possui uma clínica de fisioterapia em Hale nos arredores de Manchester na Inglaterra. Na biografia de sua clínica ela destaca o trabalho na equipe americana de ciclismo que tornou-se a número um do mundo porém sem mencionar a USPS.

 

2 thoughts on “Sexismo no Ciclismo: Emma O’Reilly x Lance Armstrong

Sua opinião é importante, compartilhe!

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Next Post

De olho em Tóquio 2020, Memorial-Santos embarca para a Europa

Pelo segundo ano consecutivo, a equipe feminina da Memorial-Santos /FUPES, também conhecida por Memorial Girls, irá passar uma temporada na Europa, onde disputará provas do calendário internacional, visando pontos para o ranking mundial. Atletas embarcaram nesta quarta-feira (3) e ficarão concentradas na Bélgica até o mês de junho. O objetivo […]

Receba as novidades em seu e-mail

%d blogueiros gostam disto: