Em ano eleitoral, prefeitura de SP começa a fazer ciclovias

Luiz Papillon

Foram três longos anos na administração João Doria e Bruno Covas com investimento reduzido em ciclovias. E como tradição no Brasil, ano eleitoral é ano de canteiro de obras a todo vapor. Agora as promessas da atual gestão paulistana começam a sair do papel. É o caso da ciclofaixa da avenida Rebouças na zona oeste da capital.

A iniciativa faz parte do plano cicloviário lançado em 2018 as vésperas da eleição para o governo estadual, a qual consagrou o então prefeito paulistano João Doria como governador. Durante os primeiros dois anos de gestão, a cidade não ganhou sequer 1km de ciclovia. Os planejadores da prefeitura de São Paulo, seguem na tática de criar interligações e conexões nos locais onde já há fluxo de ciclistas.

Rebouças recebe ciclofaixa

O primeiro local a receber nova ciclofaixa é a Avenida Rebouças na Zona Oeste paulistana que permitirá ao ciclista o trajeto entre a avenida Faria Lima e a Av. Paulista, que por sua vez se conecta ao Centro e Zona Sul da cidade. A cidade também ganhou no último mês 1.5km de ciclovia entre a Av. Paulo VI e a Avenida Brasil, que interliga ao Parque Ibirapuera.

Ciclovia Rebouças | Arte Luiz Papillon – pelote.com.br

A ciclofaixa da Rebouças será unidirecional em ambos os lados, ou seja terá uma mão no sentido do trânsito em cada lado da avenida. Como a avenida possui corredor de ônibus, a ciclofaixa será implantada na lateral da pista, junto a calçada.

Ligações Importantes não saem do papel

Doze milhões de habitantes, a maior população da América Latina, assim a cidade de São Paulo segue crescendo. O paulistano tem a seu dispor cerca de 20.000km de vias pavimentadas e pouco mais de 500km de malha cicloviária. Assim fica evidente a dificuldade de utilizar a bicicleta como transporte ou lazer na cidade. Importantes ligações não saem do papel especialmente em bairros periféricos. A ciclovia que deveria ligar a Zona Leste com o Centro está parada na altura do Metro Tatuapé. Av Conselheiro Carrão e Aricanduva, locais onde sempre há relatos de acidentes com ciclistas, seguem ignoradas.

Promessa é entregar 173km até o final do ano e reformar 310km

A prefeitura alega que o Programa de Metas irá requalificar 310 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclo-rotas. Esse trabalho inclui adequação de guias, sarjetas, asfalto, pintura e sinalização. Assim muitos trechos somem, após a raspagem do asfalto efetuada pela prefeitura e retornam reformados. Essas reformas deveriam ser feitas com sinalização e indicação de rotas alternativas, ou manter a passagem lateral com cones. Porém mesmo em trechos de grande movimento, a ciclofaixa “some” e os carros passam a invadir o espaço colocando em risco os ciclistas.

Ciclovia, ciclofaixa e ciclo-rota

A hierarquia que o plano propõe institui ciclovias apenas em vias arteriais, aquela em que a velocidade máxima esta acima de 50km/h. A ciclovia é aquela que tem separação física dos automóveis e não pode ser invadida. As vias coletoras são as que passam a receber apenas ciclofaixas, que são pintadas no solo, é proibido estacionar ou parar na ciclovia mas não há separação física para com os veículos automotores. E por fim as polêmicas ciclo-rotas, pois são destinadas a locais com velocidade máxima de até 30km/h, porém no Brasil praticamente nenhum motorista respeita tal limite e a figura do ciclista pintada no chão tem o mesmo valor que promessa de politico antes de eleição: nada.

Ao invés de uma campanha ampla para respeito as normas de trânsito além da própria velocidade máxima a prefeitura sugere implantar “lombofaixas” que são grandes lombadas nas faixas de travessia. A estratégia é boa mas tem um custo maior e menos educativo, pois o motorista continuará avançando sobre faixas de pedestre comuns como se estivesse numa eterna disputa de corrida.

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