Binda, Coppi e o Leão da Toscana: Gino Bartali

Seguimos com nossa série sobre o Giro d’Italia, iniciada em: Um pedaço da história do Ciclismo. Neste episódio falamos sobre três ícones do ciclismo mundial. Alfredo Binda, Fausto Coppi e o Leão da Toscana: Gino Bartali.

Alfredo Binda, o jovem que roubou a vitória de Girardengo!

O Giro parou por 4 anos por conta da primeira grande guerra. No retorno em 1919, O Giro d’Italia foi vencido pelo Campioníssimo Costante Girardengo. Girardengo era o astro da época, tinha grande torcida e com vários títulos prometera aposentar-se vencendo o giro de 1925. Porém ninguém vence na véspera! Girardengo não contava com a estrela crescente de Alfredo Binda. O jovem de 23 anos “roubou” a vitória de Girardengo tornando-se o primeiro grande ciclista impopular na Itália. Alfredo Binda ganhou ainda mais 4 giros e não deixou de sofrer pressão. Em 1930 Binda foi chamado a sede da Gazzetta e lhe foi oferecido o mesmo prêmio dado ao vencedor para ser “menos dominante”. Binda furioso recusou.

Natural da pequena Cittiglio, é considerado o Herói da cidade e o museu dos transportes leva seu nome.

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O nascimento da Maglia Rosa

Armando Cougnet foi jornaliste e o primeiro organizador do Giro. Em 1931 Cougnet resolveu estabelecer ao líder da prova uma camiseta de cor distinta dos demais para diferencia-lo em meio ao pelote. Era criada a Maglia Rosa. Learco Guerra foi o primeiro ciclista a usar a Maglia Rosa, após a vencer a primeira etapa do Giro de 1931 entre Milão e Mantua. No ano de 1933 foi introduzido prêmio de líder de montanha. Alfredo Binda foi o primeiro rei da montanha do Giro. Binda finalizou sua carreira com 41 vitórias em etapas do Giro, recorde somente batido em 2003 pelo maior sprinter de todos os tempos, Mario Cippolini.

Após à aposentadoria de Binda, venceram: Guerra, Gino Bartali, Giovanni Valeti, Fiorenzo Magni e o então jovem Fausto Coppi companheiro de Bartali.

Um herói além do esporte: O Leão da Toscana!

A segunda guerra mundial eclodiu e o Giro deixou de ser realizado entre 1941 e 1945. Fausto Coppi foi servir ao exército de Mussolini na África onde ficou preso por dois anos. Enquanto isso Gino Bartali arriscava a vida para transportar identidades falsas em sua bicicleta. Assim Bartali salvou centenas de judeus e perseguidos. A história é contada no livro “O Leão da Toscana” disponível na Amazon:

Ao fim da segunda guerra, novamente Coppi e Bartali duelam dividindo os títulos. Bartali ganhou 3 Giros e 7 vezes rei da montanha. Coppi ganhou 5 Giros e 3 vezes foi rei da montanha.

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A foto clássica de Bartali e Coppi trocando caramanhola mostra uma rivalidade que tinha limites claros.

A partir de 1950 o Giro se internacionalizava e competidores de todo mundo passaram a viajar para Itália em maio para participar da prova, o suíço Hugo Koblet é o primeiro estrangeiro a vencer, Coppi venceria ainda 2 vezes na década, o holandês Charly Gaul duas também. Na década seguinte destacaram-se Balmamion ganhando duas vezes, Gianni Motta e Jacques Anquetil, até que em 1968 após transferir-se da Peugeot para a milanesa Faema, o mundo conhece o Canibal Eddy Merckx, que contamos na próxima postagem.

 

Confira o documentário do Giro d’Italia de 1909 a 1959 feito pela Rai: