Henrique Bravo no Tour de l’Avenir 2026: o brasileiro que tenta desbancar Lorenzo Finn e escrever história
Henrique Bravo no Tour de l’Avenir 2026: o brasileiro que tenta desbancar Lorenzo Finn e escrever história

Tem algo especial no ar nesta edição do Tour de l’Avenir. Pela primeira vez em anos as equipes comerciais de formação voltam a disputar lado a lado com as seleções nacionais. O resultado é um pelotão de luxo, cheio de futuros estrelas. Mas o olho do brasileiro torcedor já está em um nome só: Henrique Bravo. O mineiro de Nova Lima, 19 anos, chega à França como um dos principais candidatos a bagunçar o favoritismo do italiano Lorenzo Finn. E não é conversa de torcedor. É resultado puro.
O percurso que vai decidir tudo

A prova rola de 20 a 27 de agosto, 940,1 km entre Ouistreham (Normandia) e Ceresole Reale (Itália). As quatro primeiras etapas ainda dão espaço para puncheurs e sprinters. Depois vem a cronoescalada de 11,4 km em Les Carroz – Flaine. Mas a sentença deve ser dada na sexta etapa: 149 km e quase 5.000 metros de desnível, com final no alto da Col de l’Iseran, a 2.770 metros – a passagem mais alta da Europa. Quem sobreviver ali, chega com a mão na camisa amarela.
Lorenzo Finn, o favorito… por enquanto
Finn, 19 anos, campeão mundial sub-23 e homem da Red Bull-BORA-hansgrohe Rookies, é o nome que todo mundo aponta como favorito. Quarto no Tour de l’Avenir ano passado, venceu o Giro d’Italia sub-23 e já coleciona três vitórias profissionais na Sibiu Tour. É o companheiro de geração de Paul Seixas e, nos juniores, muitas vezes foi mais forte que o francês. Chega voando. Mas tem alguém do outro lado do Atlântico pronto para cobrar o pedágio.
Henrique Bravo, o brasileiro que chegou para brigar
Bravo está em temporada de outro planeta. Ainda na Soudal-Quick-Step Development, o mineiro já venceu a Ronda de Ruanda (primeira vitória profissional), o Tour of Antalya, a Oberösterreich Rundfahrt e o pesadíssimo Giro della Valle d’Aosta. Foi quarto entre os profissionais no Tour de l’Ain. É, provavelmente, o único cara capaz de terminar no top-5 que deve continuar sub-23 no ano que vem. Enquanto Finn é o favorito, Bravo é a ameaça real, o cara que sabe sofrer em alta montanha e tem pernas para segurar o ritmo dos melhores.
Do lado equatoriano, Matéo Ramírez (UAE Emirates Gen Z) completa o trio sul-americano que pode bagunçar o jogo. Segundo no Giro sub-23 (atrás de Finn) e de novo no Valle d’Aosta (atrás de Bravo), o equatoriano de 20 anos estreia no profissional em 2027… na Movistar.
Mas é o brasileiro que carrega o peso da camisa canarinho e a expectativa de quem acompanha o ciclismo daqui.
Os outros nomes que merecem atenção
Niels Driesen (Lotto-Groupe Wanty) venceu a Ronde de l’Isard e foi quarto no Valle d’Aosta. Matteo Vanhuffel (Picnic PostNL) também chega bem. A Decathlon CMA CGM Development (a mesma de Seixas) traz Aubin Sparfel e Rémi Arsac. Entre os sprinters, as chances são poucas, mas Davide Donati, Alessio Delle Vedove e Nicolò Arrighetti podem aparecer.
Um pouco de história
O Tour de l’Avenir continua sendo o tapete vermelho para o WorldTour. Os últimos vencedores falam por si: Paul Seixas (2025), Joseph Blackmore (2024), Isaac del Toro (2023), Cian Uijtdebroeks (2022), Tobias Halland Johannessen (2021), Tobias Foss (2019), Tadej Pogačar (2018), Egan Bernal (2017), David Gaudu (2016) e Marc Soler (2015).
Agora a pergunta que ecoa no pelotão e nas redes brasileiras é uma só: será que Henrique Bravo consegue desbancar o favoritismo de Lorenzo Finn e colocar o Brasil no topo do Tour de l’Avenir?
Se depender de pernas, de coragem e de temporada, o mineiro está pronto para escrever mais um capítulo bonito do ciclismo brasileiro na Europa. A gente vai torcer de perto.
