Giro d’Italia 2024: Chato ou espetacular?

Luiz Papillon 1

Opiniões se dividem sobre a primeira grande volta da temporada, por um lado um domínio absoluto de Tadej Pogacar, por outro o deleite de ver um ciclista fora de série se exibir na melhor forma.

Tadej Pogacar | Getty Images

Uma coisa é certeza, não importe o que cada um pense, o Giro d’Italia de 2024 será conhecido como o Giro “do Pogacar”, uma competição com dono mesmo antes de começar.

Desfrutar em ver Tadej Pogacar correndo

Se em 2023 o Giro foi decidido com 14s de vantagem entre Roglic e Thomas com uma virada espetacular na última subida, uma cronoescalada, por outro lado já na primeira semana do Giro de 2024 se sabia que Pogacar só não chegaria em Roma se caísse. Durante anos em outros esportes vemos domínios “absolutos” com milhões de pessoas acompanhando os melhores. o fã do Tênis viu Rafael Nadal vencer 14 Roland Garros, assim como o fã da F1 viu Ayrton Senna, Michael Schmumacher ou agora Max Verstappen vencerem dezenas de corridas de ponta a ponta sem ser ameaçados.

Por muito pouco Tadej Pogacar não venceu o Giro de ponta a ponta, é bem verdade que o esloveno poderia ter politizado e deixado algum oponente menos perigoso carregar a maglia rosa durante alguns dias. Mas justamente essa fome de vencer e mostrar-se melhor é o que faz de Pogacar um fenômeno para o ciclismo e esporte mundial. Sem oponentes pois, Primoz Roglic, Jonas Vingegaard e Remco Evenepoel já não estariam no Giro de qualquer forma. Pogacar pode desfilar e mostrar uma performance superior.

Alaphilippe e a volta por cima

Julian Alaphilippe | Foto Getty Images

Mas o Giro não foi só de Pogacar, foi também de Jonathan Milan e seus sprints arrasadores, de Tim Merlier, mostrando que o Wolfpack ainda tem lenha no sprint e principalmente de Julian Alaphilippe. Após ser chamado de bêbado pelo chefe de equipe, de se perder por conta da esposa, de competir com uma fratura na fíbula, o bicampeão mundial de 2020-2021, voltou a sua grande forma, sendo escolhido por méritos o ciclista mais combativo do Giro d’Italia 2024.

As revelações do Giro: Pellizzari, Steinhauser e Valentin Paret-Peintre

Pogacar e Giulio Pellizzari | Foto RCS

Nomes da fuga, jovens, batalhadores e com futuro promissor, Giulio Pellizzari o mais novo deles com apenas 20 anos chegou a Roma com a camisa de melhor escalador, embora ela fosse de fato de Pogacar. Presença constante nas fugas é um ótimo escalador, assim como Valentin Parte-Peintre de 23 anos. O mais jovem dos irmãos da Decathlon leva do Giro sua primeira vitória profissional em Bocca della Selva. Já o alemão Georg Steinhauser de 22 anos, levou a vitória em Passo Brocon além de estar na fuga praticamente todos os dias da última semana. Um ótimo sinal para um ciclista tão jovem.

Polti Kometa e o espirito de Alberto Contador

Andrea Pietrobon venceu o prêmio de fugitivo do Giro d’Italia 2024 | Foto RCS

Quando estava em atividade o espanhol Alberto Contador era um espetáculo por si só. Não apenas pelo jeito único como escalava as subidas mais duras do ciclismo, mas principalmente por atacar como se não houvesse amanhã. Contador conquistou sete grandes voltas, poderiam e deveriam ter sido nove, mas o ciclismo precisava de um choque. Agora com sua pequena equipe, Contador conseguiu transferir para seus comandados sua essência e vimos Mirco Maestri e Andrea Pietrobon com um fôlego incrível para fuga e mostrando os patrocinadores da equipe para o mundo. Mais tradicional, mas muito guerreira foi também a VF Bardiani com Filippo Fiorelli e Alessandro Tonelli.

Direção do Giro d’Italia: Mais rápido, mais versátil, mais moderno

As escolhas técnicas para o percurso de uma grande volta são dificílimas, seja trânsito, logística, grau de dificuldade e temperatura, tudo é absolutamente volátil e difícil de traçar. O Giro 2024 foi sobretudo bem traçado, com um pouco menos de escalada, uma etapa com cascalho espelhando a Strade Bianche na Toscana e poucas etapas absolutamente planas e modorrentas. Por mais que especialmente na Europa exista uma cultura tradicionalista de que o Giro precisa ter muita subida e etapas quase sobrenaturais de difíceis, a organização pesou e jogou a favor da audiência.

Mauro Vegni, diretor do Giro d’Italia | Foto RCS

Ao todo foram doze ciclistas diferentes vencendo etapa, com Pogacar vencendo seis, Jonathan Milan e Tim Merlier três cada. Talvez com Evenepoel ou Vingegaard a disputa com Pogacar tivesse maior equilíbrio, ou mesmo com o versátil Primoz Roglic, mas o destino os colocou apenas para o Tour.

Em 2025 o Giro d’Italia deve ter uma largada inédita, são especuladas largadas na Eslováquia, Bélgica, Turquia e Marrocos, embora não seria surpresa a largada em algum país do oriente médio em função do investimento no esporte pelo Bahrain, Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos.

 

One thought on “Giro d’Italia 2024: Chato ou espetacular?

  1. Realmente ache o percurso muito bom, apesar de ser fã das cronoescaladas. As adaptações de última hora devido as condições climáticas não atrapalharam o espetáculo.
    Agora é espera o encontro de todos no tour, principalmente com Jonas e Primoz em equipes diferentes, não podendo se juntar contra Tadej.}
    Vai ser muito bom!!!!

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