Feliz 2020 e 5 destaques do ano 2019

Luiz Papillon

Chega ao fim mais um ano no ciclismo profissional. Gostaria de agradecer a você leitor que torna possível um blogue que fala de ciclismo existir compartilhando e ajudando a divulgar o ciclismo.

Começo nossa retrospectiva com as expectativas que tivemos para 2019. Entre as equipes a principal mudança foi a estréia da CCC como equipe profissional, utilizando a licença da BMC. Entre os patrocinadores, a Sky deixou o ciclismo e tivemos um momento de tensão sobre a continuidade da equipe até que a Ineos abraçou a causa e manteve a equipe com licença e direção britânica.  A temporada começou com Daryl Impey da Mitchelton vencendo o Tour Down Under na Austrália enquanto Winner Anacona vencia a Vuelta a San Juan na Argentina. De destaque a performance forte de Julian Alaphilippe que seria um prenúncio de sua temporada fantástica.

Alaphilippe o Francês voou alto em 2019

O primeiro destaque da temporada vai para Julian Alaphilippe. O francês de 27 anos venceu de todos os modos na temporada. Começou com duas vitórias em etapas na Argentina onde foi vice campeão da Vuelta a San Juan. Depois venceu a Strade Bianchi em uma das mais sensacionais corridas da temporada batendo Jakob Flugsang no final. Venceu ainda a Milão Sanremo num sprint contra nomes como Peter Sagan e Alejandro Valverde. Mas a temporada reservava mais para Alaphilippe e no Tour de France ele vestiu a camisa amarela de líder por 14 dias.

Foi um sonho que tomou conta da França, a última vez que um francês havia usado a camisa de líder por mais de um dia foi com Sylvan Chavanel em 2010 e não de forma consecutiva, como François Simon em 2001. Da etapa 03 com chegada em Épernay até a etapa neutralizada no Col de I’Iseran, a frança viveu então uma “Alaf mania”.

Julian Alaphilippe – Foto A.S.O.

Egan Bernal o primeiro colombiano a vencer o Tour de France

O Tour de France é a prova mais importante do ciclismo mundial, e vence-la é para poucos. Da vitória de Lucho Herrera na Vuelta em 1987 foram 32 anos até um colombiano vencer o Tour. Bernal é verdade estava escalado para o Giro d’Italia, mas uma queda no começo de maio com fratura na clavícula o tirou de combate. Veio então uma sucessão de acontecimentos. Chris Froome sofreu uma queda horrível enquanto fazia o reconhecimento da prova de contra relógio no Criterium du Dauphiné em junho. A equipe Ineos então acelerou o processo de recuperação de Bernal e o escalou como co-capitão juntamente com Geraint Thomas. O resto é história, o colombiano mostrou diversas vezes durante o Tour ter as melhores pernas e quando forma necessárias ele mostrou a que veio.

Egan Bernal – Vencedor do Tour de France 2019 | Foto TV Caption

Primoz Roglic venceu três voltas de uma semana no primeiro semestre entre elas a Tirreno Adriático. Conquistou um pódio no Giro e venceu a Vuelta com autoridade. O esloveno de 30 anos sem dúvidas foi um dos grandes ciclistas da temporada, tendo vencido também o ranking UCI por pontos.

Richard Carapaz, o gregário vencedor do Giro

Carapaz tinha uma função bem definida antes do Giro d’Italia em maio, ajudar Mikel Landa. O basco seria líder de equipe “finalmente” e poderia mostrar seu talento. Mas na hora que precisou de pernas para acompanhar Roglic, Landa não conseguiu. E quem estava ali a espreita era o excelente Carapaz, o equatoriano assumiu a camisa amarela na 14ª etapa e não largou mais.

Venceu com autoridade deixando o multicampeão Vincenzo Nibali mais de um minuto atrás e colocando mais de dois minutos em Roglic e Landa. Uma performance soberba de um ciclista humilde. Contratado pela Ineos para 2020 antes mesmo do Giro, Carapaz viu o salário anual ser multiplicado por 10. Aliás o efeito caça-níquel dos ciclistas em destaque tirou Carapaz da Vuelta 2019. O equatoriano estava escalado para a Vuelta, porém as vésperas da prova participou de uma prova sem avisar a equipe e se machucou, ficando de fora da grande volta.

Richard Carapaz – Vencedor do Giro d’Italia 2019 | Foto TV Caption

Uma foto que ilustra como nunca o sprint – Brussels Classic

Uma chegada espetacular, a clássica de outono de Bruxélas a “Brussels Classic” teve na mesma imagem quase alinhados  os seis primeiros colocados. A prova foi vencida por Caleb Ewan que bateu Pascal Ackermann. Sem dúvida uma das imagens da década no ciclismo.

Brussels Classic – Foto Bruno Bade

Remco e Gilbert, o futuro e o presente do ciclismo belga

Nem só de vitórias as belas histórias são feitas. As vezes a verdadeira emoção fica na entrelinha. E a imagem borrada abaixo é um desses casos. Em 2019 Remco Evenepoel estreou como ciclista profissional aos 18 anos. Remco venceu o Tour da Bélgica, o europeu de contra relógio individual e a Clássica San Sebastian. Do outro lado da moeda, Philippe Gilbert com seus inúmeros títulos conquistou nesse ano sua Paris Roubaix.

“Eu pensei que ele era um pouco doido e arrogante. As coisas que ele dizia antes das provas, eu pensava: O que vocês está dizendo? Se acalme um pouco!” Gilbert

Nesse dia Remco atacou restando 25km para o final da prova Adrionica e chegou mais de dois minutos a frente do pelote. Gilbert se espantou:

“Eu pensei que ele foi arrogante, até que algumas horas depois ele colocou em pratica. Impressionante!” Gilbert

Mas como disse essa é uma entrelinha, Gilbert caiu logo no começo do mundial de ciclismo em Yorkshire no Reino Unido. Sem rádio para avisar seus companheiros, contou apenas com o jovem Remco que lutou bravamente para tentar reconectar com os grupos na dianteira da prova. Entretanto o esforço se provou impossível e ambos abandonaram com Gilbert em lágrimas.

“O mais jovem na seleção foi o cavalheiro. Aquilo realmente bateu em mim. Isso também prova o quão grande é seu potencial. Ele pensa e age taticamente. O que ele fez em Yorkshire foi super profissional, e isso o levará a saltos maiores no futuro” Gilbert

Remco Evenepoel e Philippe Gilbert – TV Caption

Gilbert agora segue muito provavelmente para encerrar sua vitoriosa carreira na Lotto Soudal. Remco por sua vez foi eleito o esportista belga de 2019. Remco recentemente revelou ter descartado uma oferta de 1 milhão de euros anuais (supostamente pela Sky, atual Ineos). Anteriormente já na opção pelo ciclismo fez uma troca que aqui no Brasil seria impensável, abandonou o futebol com passagens pela seleção de base belga e clubes como o Anderlecht e PSV Eindhoven. A maturidade do jovem pode ser vista em suas declarações:

“Gosto do que faço, comecei minha carreira profissional sem pedidos salariais. Não me importaria em correr de graça, quando você começa a ter resultados as discussões sobre salário acontecem naturalmente.” Remco Evenepoel

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