Dr. Doping será acusado de provocar danos corporais perigosos!

Luiz Papillon

O médico alemão Mark Schmidt é um velho conhecido do mundo do doping. Envolto com o sistema de doping de performance desde o século passado, a polícia alemã e austríaca estabeleceram a rotina do esquema.

Utilizando telefones com chip de operadora eslovena, o médico negociava com seus clientes. Suas exigências começavam com  a necessidade de pagamento em dinheiro vivo e passavam por utilizar postos de gasolina para entregar sangue ou medicamentos manipulados para performance de atletas. Assim o dia a dia da maior operação de doping desta década foi sendo revelada.

Tudo começou na Operação Aderlass quando um esquiador foi pego em flagrante se auto-dopando. O desenrolar levou a suspensão de uma penca de ciclistas além de atletas de outros esportes, especialmente o esqui.

Ministério Publico de Munique anuncia 23 atletas de 8 países

Segundo a promotoria pública alemã, são 23 atletas de 8 países, em sua maioria alemães, austríacos e eslovenos envolvidos no caso. Mais de 30 testemunhas remontam o texto com 145 acusações as quais Mark Schmidt e seus quatro ajudantes são denunciados. O promotor alega que o médico pratica doping sanguíneo “regularmente e em um número ainda desconhecido de casos desde 2011”.

 

TB500 – Anti-inflamatório utilizado em cavalos.

 

O médico esportivo é acusado de aumentar artificialmente a resistência atlética e o desempenho através da retirada, troca e manipulação de sangue. Além disso teria fornecido aos atletas  o TB500 um ativador do hormônio do crescimento utilizado em cavalos e camelos como anti-inflamatório. Por conta do uso desse medicamento a promotoria pede pena por potenciais danos corporais.

Os diálogos encontrados em SMS incluem desde a estratégia para entrega das bolsas de sangue em rodovias como também a experiência de utilização:

Schmidt: Você está se sentindo melhor? E as pernas? Levo com metade ou com tudo? (Se referindo a meia bolsa de sangue ou uma bolsa inteira).

Atleta: Estou bem, sem problemas aparentes, acabou.

Schmidt: Perfeito, então levarei o grande. Vejo você amanhã.

Levar bolsas de sangue para os jogos olímpicos de inverno: O atleta virou mula!

A indústria do doping obviamente não poderia ficar restrita a Europa. Era preciso que os atletas pudessem servir-se do doping também em competições na Ásia e América. Assim ou os assistentes de Schmidt viajavam com a geladeira portátil ou era preciso outro meio. E assim encontraram a solução do próprio atleta ser a mula. Os atletas receberam sangue antes de embarcar para um longo voo até Seul e uma vez em solo coreano o sangue excedente era retirado, armazenado enquanto o dia da competição não chegava. Finalmente o sangue era novamente injetado no atleta momentos antes da competição.

Tais procedimentos eram indetectáveis pelo sistema de exames anti doping. E o médico monitorava os resultados de testes remotamente a ponto de indicar a interrupção do uso de substâncias.

Dois ciclistas profissionais alemães entre os clientes

O promotor de Munique Kai Graeber contou para agência alemã anti doping que dois ciclistas de equipes profissionais estavam entre os clientes do médico. Um deles ainda estaria em atividade, fato que agitou as redes sociais pelo fato de ter competido no Tour de 2019. O fato de Schmidt continuar atuando após o flagrante de Johannes Durr, levou a polícia a pedir a prisão preventiva do médico. Posteriormente teve a prisão transformada em provisória devido ao risco dele atrapalhar as investigações. Até o momento já foram suspensos:

  • Stefan Denifl (ex-Aqua Blue)
  • Georg Preidler (ex-Groupama)
  • Kristijan Koren (ex-Bahrain)
  • Kristijan Durasec (UAE)
  • Borut Bozic (ex-Bahrain e ex- diretor esportivo assistente da Bahrain)
  • Alessandro Petacchi (ex-Quick Step, Lampre e comentarista)
  • Danilo Hondo (ex-Lampre)

Pedido de pena exemplar

Se condenados, Schmidt e seus assistentes podem pegar de 1 a 10 anos de prisão por cada crime cometido. Onde o ministro da justiça da Baviera esteve na coletiva de imprensa que tornou públicos fatos da investigação. Segundo Graeber ele desconhece caso no esporte onde a evidência seja tão clara:

“Os quase 50 sacos de sangue apreendidos em Erfurt podem ser atribuídos aos atletas envolvidos em comparação de DNA.”

Para o chefe de autoritade alemão Hans Kornprobst o caso deixa um sinal importante:

“Um atleta que se dopa não pode sentir-se seguro, mesmo que seu doping permaneça indetectado nos controles. A aplicação da lei é absolutamente necessária para controlar o doping.”

 

 

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