2020 chega com grandes mudanças no ciclismo World Tour

Luiz Papillon

Vamos chegando ao fim de 2019 e as vésperas do início do ciclismo profissional em 2020.  Muitas foram as mudanças de equipes, provas e patrocinadores para 2020.

ProSeries

Começo o apanhado das mudanças para 2020 com uma mudança burocrática. Parece apenas nomenclatura, mas é importante no âmbito da organização do esporte. A ProSeries é um conjunto de provas que podemos entender como a segunda divisão do ciclismo mundial. Ao contrário do futebol onde times geralmente não disputam jogos contra times de divisões menores, no ciclismo o jogo é mais aberto. Quase como no Tênis onde os torneios são organizados pela grandeza.

Assim o circuito profissional passa a ter duas divisões de elite claras, a World Tour e a ProSeries. Ambas divisões são mundiais ou seja com presença em todos continentes. A Vuelta a San Juan inaugura o calendário ProSeries de 26 de janeiro a 02 de fevereiro na Argentina. Tecnicamente a diferença entre as divisões é a presença de equipes WorldTour, premiação e estrutura de organização e transmissão de provas. Assim a nova Proseries terá 55 provas enquanto o WorldTour terá 37 provas.

Tro-Bro-León é a novidade entre as clássicas

Tro-Bro-Leon | Arte Divulgação

Algumas das provas serão novidades inclusive nas transmissões. Algumas provas subiram de categoria direto da 1.1 (mais baixa europeia) direto para a Proseries. Entre elas estão a sensacional Tro-Bro Léon uma prova que coloca o pé na lama literalmente, a Brussels Cycling Classic na Bélgica, o GP Miguel Indurain na Espanha e a Coppa Sabatini na Itália.

O lado internacional não ficou de lado na nova divisão. A Vuelta a San Juan abre a temporada ProSeries na Argentina, o continente americano ainda terá a Maryland Classic e o Tour de Utah. Na Ásia as novidades são o Le Tour de Langkawi na Malásia a Japan Cyp no Japão e o Tour da Turquia que desceu de patamar perdendo a estrela World Tour.

Nem tudo são flores nesse cenário, as demandas maiores da ProSeries provocou o cancelamento de algumas provas, notadamente o Tour da Noruega que manteria o nível 2.1 mas a transferência de recursos para a Artic Race inviabilizou a prova.

Calendário WorldTour com 19 equipes

Com uma equipe a mais, o circuito mundial passou a ter 19 equipes. A nova equipe WorldTour é a Cofidis, tradicional equipe francesa que compete no ciclismo desde os anos 90. Vou falar de cada equipe mais adiante, mas o grande destaque da Cofidis é a chegada do velocista italiano Elia Viviani.

Cofidis – Divulgação

Além da Cofidis, uma fusão envolveu a antiga equipe Katusha. A equipe que corria com licença suíça foi encampada pela israelense Israel Cycling Academy e correrá com o nome Israel Start-up Nation.

Outra novidade é a NTT Pro Cycling, nesse caso acontece apenas uma repaginação sob a mesma direção. A antiga Dimension Data já pertencia ao grupo japonês NTT que por questões mercadológicas substituiu o nome do patrocinador.

Para finalizar mais uma mudança de nome, a equipe baremita deixa de ter a fornecedora de bicicletas Merida no título e passa a se chamar Bahrain Mclaren. A conexão com a lendária equipe de Formula 1 com sede em Woking no Reino Unido é uma grande jogada de marketing porém a grande novidade da equipe está no comando. Rod Elingworth, co-fundador da Equipe Sky no passado e grande nome do ciclismo britânico chega com a promessa de transformar a equipe.

ProTeam – A série B do ciclismo

Agora chegamos nas equipes mais afetadas pela atual política da UCI. O processo de valorização de algumas provas e dos ciclistas tornou muito caro manter uma equipe profissional continental que agora tem novo nome: ProTeam. Vimos nos últimos dois anos a diminuição de equipes ProTeam de 27 em 2018 para apenas 19 em 2020.

A situação é tão ruim que a equipe líder do ranking 2019, a Total Direct Energie declarou não ter condições de atender aos convites que receberá obrigatoriamente que é a participação em todos eventos WorldTour. A primeira baixa foi o Giro d’Italia, segunda maior prova do ano.

“Após discussão com a gerencia esportiva, nós decidimos não ir (ao Giro). Por um lado nós ficamos felizes em nos ver no primeiro lugar do ranking Pro Continental em outubro, porém nosso elenco estava praticamente completo. Não tivemos assim tempo suficiente para fazer os ajustes necessários” disse o diretor de equipe Jean-René-Bernaudeau.

A estranha decisão contou com a pressão do diretor do Giro Mauro Vegni, pressionado para convidar equipes italianas que mal se seguram em pé com o orçamento limitado. São esperados os convites para a Androni Giacattoli e Bardiani, contudo com a desistência da Total especula-se que o derradeiro convite seja para a equipe dinamarquesa Riwal.

 

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