Bauke Mollema atacou a 16km do final para vencer a Il LombardiaLombardia

Luiz Papillon

Uma prova sensacional! Ataque atrás de ataque praticamente nas 2h de transmissão. Ao final após um ataque no Civiglio, o holandês Bauke Mollema venceu a Il Lombardia. Aos 32 anos, Mollema sempre foi conhecido por bater na trave em momentos decisivos, mas hoje foi seu dia. Mollema teve de sustentar um grande ataque e após a subida final de San Fermo della Battaglia administrar a vantagem de quase um minuto para a perseguição. Atrás Valverde fez um ataque já no plano, mas não conseguiu escapar o suficiente. Ao final Mollema venceu uma monumento pela primeira vez. Em segundo ficou Valverde batendo Egan Bernal no sprint.

Podio Il Lombardia – Captura TV

Il Lombardia – A última Monumento da Temporada

A Il Lombardia é a prova que extra-oficialmente fecha o calendário do ciclismo no circuito mundial. Oficialmente ainda teremos o Gree Tour de Guangxi na China que começa na próxima quinta feira, contudo o grande objetivo dos ciclistas seria vencer a Il Lombardia hoje. Disputada desde 1905 a prova só não foi disputada em duas edições devido a 2ª Guerra Mundial. Esta foi a 113ª edição da clássica das folhas caídas que marca o fim da temporada europeia de ciclismo.

As Monumentos do Ciclismo

Talvez você tenha chegado aqui no pelote e não saiba o que são as monumentos do ciclismo. O conjunto de provas clássicas centenárias com mais de 250km de extensão:

Milão Sanremo – Conhecida por La Primavera na Itália justamente por marcar o início da temporada, disputada na costa da Ligúria e perto de 300km de distância.

Ronde Van Vlaanderen – Ou Tour de Flandres, que marca a temporada de provas belgas com paralelepípedos.

Paris – Boubaix – A rainha das clássicas ou o Inferno do Norte, disputada uma semana apos a Ronde.

Liège – Bastogne – Liège – A mais antigas das clássicas, conhecida por La Doyenne (A senhora), disputada desde 1894.

Il Lombardia – Ou Giro di Lombardia, a clássica de outono que encerra a temporada de ciclismo.

As principais estatísticas do ciclismo envolvem as monumentos. O maior ciclista de todos os tempos Eddy Merckx venceu um total de 19 provas sendo o único a vencer três provas em um mesmo ano, tendo conquistado o feito em quatro temporadas (1969, 1971, 1972 e 1975). O último ciclista a vencer duas monumentos na mesma temporada foi o alemão John Degenkolb em 2015.

113ª Il Lombardia – A última Monumento da Temporada

Entre os ciclistas na prova de hoje, Nibali e Gilbert já conquistaram a prova duas vezes cada, Chaves e Dan Martin venceram uma cada enquanto Valverde foi duas vezes vice campeão. Os 243km entre Bergamo e Como no norte da Itália tem quatro pontos chave:

A subida de Madonna del Ghisallo onde está a capela da padroeira dos ciclistas, o Muro di Sormano com uma inclinação absurda de até 27%. Na marca de 17km para o final o Civiglio uma subida de 4.1km a 10% de inclinação média e finalmente a San Fermo della Battaglia, uma subida de 2.9km e 6.5% de inclinação média a apenas 5km do final. Confira o perfil dessas subidas:

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As casas de aposta traziam Primoz Roglic como grande favorito, a frente de Michael Woods e Alejandro Valverde. Com um pouco menos de favoritismo as apostas traziam Egan Bernal, Vincenzo Nibali e Jakob Flugsang.

Tributo a Felice Gimondi marcou a largada em Bérgamo

Antes da prova, homenagens foram feitas a Felice Gimondi, falecido no último 16 de agosto aos 76 anos de idade. Gimondi foi tricampeão do Giro d’Itália, vencedor do Tour de France, da Vuelta a Espanha e campeão mundial de 1973. Além disso venceu a Il Lombardia por duas vezes, a Paris Roubaix e a Milan Sanremo. Sua vitória na Il Lombardia de 1966 é até hoje uma das fotos mais icônicas do ciclismo ao vencer o sprint sobre Eddy Merckx, Raymond Poulidor e Jacques Anquetil.

A prova começou com uma fuga estabelecida na marca de 13km de prova. Os escapados logo conseguiram estabelecer uma vantagem acima de dois minutos sobre o pelote:

  • Fausto Masnada (Androni Sidermec)
  • Davide Ballerini (Astana)
  • Enrico Barbin (Bardiani CSF)
  • Cesare Benedetti (Bora Hansgrohe)
  • Remi Cavagna (Deceuninck Quick Step)
  • Petr Rikunov (Gazprom-Rusvelo)
  • Toms Skuijn (Trek Segafredo)
  • Marco Marcato (UAE Emirate

Masnada ataca em Madonna del Ghisallo

O papa Pio XII ordenou a construção da capela em Ghisallo após a segunda guerra mundial em atendimento ao padre francês Ermelindo Viganò que notou os ciclistas fazendo o sinal da cruz no alto do morro. Atualmente a capela tem ao seu lado o belo Museo do Ciclismo e no interior da capela diversas bicicletas entre elas a de Fabio Casartelli. E nos degraus iniciais da subida, Fausto Masnada que em 2020 correrá pela CCC atacou. O italiano de 25 anos conseguiu abrir 30 segundos da fuga. O movimento quebrou a fuga mas na descida Toms Skuijns o alcançou.

A vantagem para o pelote diminuiu consideravelmente e foi o começo do fim para a fuga. No pelote Bob Jungels atacou e na marca de 52km para o final. Jungels então encarou o Muro di Sormano com Skuijns mas apenas com 30 segundos a frente do pelote. Durante a subida o francês David Gaudu liderou e foi seguido por Giulio Ciccone. O italiano acabou por cruzar a meta em um grupo com o Michael Woods, David Gaudu, Jakob Flugsang e Ivan Sosa.

O alemão Emannuel Buchmann e o belga Tim Wellens atacaram na marca de 34km para o final. A dupla conseguiu abrir uma vantagem de 20 segundos para a perseguição.

Ataque atrás de ataque no Civiglio

O grupo de favoritos tinha vinte ciclistas entre eles Vicenzo Nibali, Alejandro Valverde e Primoz Roglic. A subida ao Civiglio seria determinante. Buchmann iniciou a subida com 20 segundos de vantagem, atrás Ruben Plaza da Movistar trabalhava por Valverde e no meio da subida veio o ataque de Valverde. O grupo reagiu e neutralizou Valverde mas logo veio o ataque de Bauke Mollema. O holandês da Trek Segafredo conseguiu abrir 26 segundos de vantagem e atrás os ataques se sucediam. Gaudu, Woods, Flugsang, todos atacando e reagindo tentando escapar. Ao final o francês Pierre Latour da Ag2r conseguiu escapar alguns segundos a frente do grupo. Enquanto isso Mollema seguia seu contra relógio individual para a glória com 14km para o final.

Entre Mollema e a chegada ainda havia a subida de San Fermo della Battaglia. Atrás o grupo alcançou Latour e o ataque veio então do grande favorito Primoz Roglic. O esloveno da Jumbo Visma atacou no plano antes de San Fermo. Assim que começaram a subir San Fermo um movimento entre os favoritos neutralizou Roglic. Woods, Valverde, Bernal, Yates e Flugsang formaram a perseguição mas nada de amizade ali. Muitos ataques com aceleração mas sem neutralizar Mollema. Dali em diante foi controlar a diferença para a maior vitória de sua carreira. Em segundo ficou Valverde que bateu Bernal e Flugsang no sprint.

Confira os melhores momentos:

1    Bauke Mollema (Holanda) Trek-Segafredo    5:52:59

2    Alejandro Valverde (Espanha) Movistar Team    0:00:16

3    Egan Bernal (Colômbia) Team Sky

4    Jakob Fuglsang (Dinamarca) Astana Pro Team

5    Michael Woods (Canada) EF Education First    0:00:34

6    Jack Haig (Austrália) Mitchelton-Scott

7    Primoz Roglic (Eslovênia) Team Jumbo-Visma

8    Emanuel Buchmann (Alemanha) Bora-Hansgrohe    0:00:50

9    Pierre Latour (França) AG2R La Mondiale

10    Rudy Molard (França) Groupama-FDJ

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