A seleção brasileira de ciclismo na Vuelta a San Juan

Esse post normalmente faço antes da prova, mas a seleção merece um relato do que foi a Vuelta a San Juan para o Brasil. É bem verdade que a apresentação da seleção não contou com muitos meios da imprensa. Além do pessoal que faz a comunicação para a própria CBC , só ficamos sabendo dos convocados justamente pela colaboração do técnico Francisco Chamorro. A imagem que ilustra esse texto mostra a seleção concluindo a Vuelta a San Juan 2019. Outro contado com o mundo do ciclismo profissional só em 2020, já que nem a seleção nem a equipe continental de Ribeirão foram convidadas para a Colombia 2.1 que começa dia 12.

Fica aqui o agradecimento para Chamorro e equipe que além de compartilhar em suas redes sociais, nos enviaram imagens e relatos. Vimos uma seleção por um lado rejuvenescida com a escalação de:

  • Luiz Basso – 19 anos (DNF E4)
  • Felipe Hipolito – 20 anos (DNF E2)
  • André Gohr – 22 anos
  • Alessandro Ferreira – 23 anos
  • Lauro Chaman – 31 anos
  • Magno Nazaret – 33 anos

A seleção dirigida por Francisco Chamorro que estreou na função de técnico com seus 37 anos, teve como melhores resultados:

Etapa 7 – 34º Alessandro Ferreira (Indinho)
Classificação geral: 58º Magno Nazaret
Montanha: 16º Andre Gohr
Equipes: 24º 56:45 (atraso em relação a vencedora Movistar).

Seleção fez o possível e mostrou a cara junto das equipes profissionais

Seleção Brasileira em meio aos ciclistas da Movistar
Um desempenho possível, mas consistente, vimos por diversas vezes o Brasil se revezando na ponta do pelote. Na primeira etapa o Brasil esteve na fuga com Indinho e na segunda com André Gohr, depois tratou de preservar e apresentar desempenho dentro do pelote, uma escolha de coragem. Ainda mais em um meio onde a divulgação é tão escassa, em outros tempos teríamos um brasileiro todo dia se matando na fuga sem perspectiva de melhores resultados. Felipe teve problemas na segunda etapa e ficou fora do tempo enquanto Luiz Basso sofreu um acidente na quarta etapa sendo removido para o hospital. Ai você leitor pode perguntar “Mas só isso?”. Olha, isso já é muito! No Brasil poucas provas chegam a metade da dificuldade de uma prova como a Vuelta a San Juan e desde a morte do Tour do Rio não temos provas com equipes profissionais no país.  Assim encerro essa parte com um grande parabéns aos ciclistas brasileiros e ao agora técnico Francisco Chamorro.

A sobrevivência do ciclismo nacional

Você pode imaginar que com o aumento de praticantes temos maior destaque no ciclismo certo? Bom seria se isso se tivesse reflexo nas estruturas e provas do calendário. Vivemos um verdadeiro boom de crescimento do ciclismo de estrada, são diversos grupos de, 30, 40 , 100 ciclistas pedalando diariamente em quase toda capital ou cidade grande. Mas esse número de ciclistas não tem reflexo nas provas locais, a comunicação horrorosa feita pelas federações acaba não atraindo ciclistas para o ciclismo profissional e vivemos na espiral de mediocridade. E como sobrevive nosso ciclismo? De provas em circuito montadas pelas federações com a distância mínima regulamentar para contar pontos e só. Se for falar das provas que morreram nos últimos três anos o texto fica longo demais, fica mais fácil falar das três quatro que sobraram. São clássicas com 100, 120 km de distância e nessas provas que são testados os talentos. Agora imagine que no mundo do ciclismo isso é prova para júnior, elite mesmo corre clássicas sempre acima de 160, 180km e voltas de uma semana ao redor de 800km.
No calendário 2019 da CBC há previsão de duas provas com mais de uma etapa, nenhuma com detalhe de distância ou formado. São elas:
23/03 a 24/03 – Volta Ciclística de Passo Fundo
28/05 a 02/06 – Volta Ciclística Internacional do Paraná
Tomo por exemplo o Tour do Ceará de 2018:
  • Etapa 1: Contra Relógio 6,3km
  • Etapa 2: Circuito 42km
  • Etapa 3: 115km

Possivelmente tenhamos também a Volta a Guarulhos (05-11/08) mas sem valer ranking para a CBC, uma prova bem legal e que poderia ter seu valor melhor reconhecido. Mesmo a clássica 09 de Julho que é a única prova televisionada ao vivo em rede aberta (a prova pertence ao grupo que detém controle da TV Gazeta) não conta pontos para o ranking nacional. Já a federação do estado mais rico do país e com maior número de ciclistas mal entrou em 2019, poderia até estender e dado ao calendário divulgado mal entrou neste século. O Calendário simplesmente mistura estrada, pista e MTB sem indicar o que é o que, cola datas internacionais em meio a provas locais, tudo isso em um calendário provisório (muito provavelmente permanente).

Que futuro estamos preparando?

Da para preparar ciclista para disputar vaga em equipes sul-americanas assim? Ir para Europa? Hoje tivemos o campeonato colombiano de ciclismo, sabe a distância? Duzentos e quarenta quilômetros, praticamente 100km a mais que o brasileiro do ano passado. Talvez uma injustiça eu esteja cometendo tentando comparar o nosso ciclismo com o colombiano que a mais de 30 anos revela talentos, faz campeões e muda a história de tantos jovens em um país necessitado. Enquanto isso no Brasil há uma verdadeira monarquia entre dirigentes alternando-se no poder e com um único resultado, aprofundar o fundo do poço.

 

2 thoughts on “A seleção brasileira de ciclismo na Vuelta a San Juan

  1. Luiz, apesar do ciclismo em minas ser ínfimo, teremos um campeonato disputado no norte de minas. Será patrocinado pela Sense. acho que serão 5 etapas dentro do Ano.
    https://globoesporte.globo.com/mg/grande-minas-vales/noticia/movimentando-o-calendario-regional-associacao-de-ciclismo-de-januaria-abre-inscricoes-para-provas-de-estrada.ghtml

    Saliento também o Granfondo Estrada Real(apesar do nome são 75 km com 2000 de altimetria) que será organizado pela Avelar Sports que no MTB conseguiu fazer uma das suas provas ser televisionada pela afiliada SBT aqui em Minas.

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