Dopagem sistêmica sob acusação da MPCC

Luiz Papillon

Durante a semana a MPCC (Movimento Por um Ciclismo Credível), associação de equipes, ciclistas, organizadores e patrocinadores pede a UCI que faça controles anti dopagem em momentos muito mais próximos do início e fim das provas.

Suspeita de doping sistêmico quase indetectável

A MPCC suspeita que ciclistas possam escapar da detecção da auto-transfusão ao fazer a operação um pouco antes das provas e logo após o final das corridas. A MPCC pede que a UCI faça mais testes fora de competição, mais testes para presença de traços de plásticos e outros componentes (presentes nas bolsas de transfusão) que possam indicar a prática da auto-transfusão, drogas experimentais como o AICAR entre outras substâncias banidas.

O fundamento desse pedido é o desenrolar da Operação Aderlass, onde o ciclista banido Georg Preidler confessou a metodologia envolvida. Preidler que correu pela Sunweb e Groupama teria testemunhado a seus antigos chefes, Iwan Spekenbrink e Marc Madiot. Assim detalhes da metodologia de dopagem passaram a repercutir entre os diretores do MPCC (do qual ambos fazem parte) no que os deixou horrorizados.

A carta enviada pela MPCC é datada de 17 de Outubro, a qual a UCI respondeu em 05 de Novembro por meio do presidente, David Lappartient. A MPCC ainda peda a WADA (Associação Mundial Anti Doping) que sejam adicionadas as listas de substâncias proibidas:

  • Tramadol,
  • Hormônios reguladores da tireoide,
  • Novos protocolos sobre corticoesteroides.

Pede também que sejam revisto o controle de cortisol e de corpos cetônicos.

AICAR a pílula do exercício

Nova febre nos EUA e também na academia da esquina. O AICAR que tem o nome de ribonucleotídeo 5-aminoimidazol-4-carboxamida é uma droga que estimula à ativação de um número maior de fibras musculares de resistência. O efeito no organismo é proporcionar um desempenho superior com melhora de performance e aumento da resistência.

Presidente da UCI concorda com MPCC mas alerta que mais testes dependem de investimento financeiro

Em sua resposta, Lappartient mostrou compartilhar dos mesmos princípios. Destacou que durante os anos de 2017 e 2018 mais de 10.000 testes sanguíneos foram feitos. Porém lembrou que qualquer aumento no controle dependeria da capacidade financeira da CADF (Fundação Anti Dopagem no Ciclismo). Um dos pontos foi a ação ocorrida durante a etapa 18 do Tour de France deste ano, quando a Jumbo Visma foi testada de surpresa a 45 minutos da largada da prova. Nestes testes, foram pesquisados também a ocorrência de Phthalates um grupo de agentes químicos responsáveis por tornar o plástico mais rígido e flexível.

O ponto mais profundo de ação da UCI foi o pedido para o CADF reanalisar amostras de 2016 e 2017 sob a ótica desse detalhamento mais específico.

MPCC – Movimento Por um Ciclismo Credível

MPCC é um acrônimo para Mouvement Pour un Cyclisme Crédible, ou em português Movimento Por um Ciclismo Credível. Uma organização formada em 2007 (logo após o escândalo de doping da Operação Puerto). Atualmente a MPCC é formada por 7equipes do Circuito Mundial (World Tour), 20 equipes profissionais continentais, 5 equipes femininas, 348 ciclistas e 28 ex-ciclistas.

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