O Legado Sky – Lições para o ciclismo Moderno

A equipe de maior sucesso na década terá de encontrar novo patrocinador para seguir com seu projeto ambicioso. Menos de um dia após o anúncio oficial já temos diversas especulações informações sobre os motivos da Sky deixar o ciclismo.  Ao que tudo indica o corte do patrocínio da equipe de ciclismo é decorrente da aquisição da operadora Sky pela Comcast um conglomerado multinacional que detém diversas redes de mídia, filmes e TV entre elas a norte-americana CBS, o estúdio Universal o time de basebal New York Mets num conglomerado valorado em 147 bilhões de dólares. Assim mesmo com ciclistas contratados por até cinco temporadas como é o caso do colombiano Egan Bernal, a equipe terá de conseguir um patrocínio muito bom para seguir viva em 2020. Ainda que tudo dê errado e a equipe deixe de existir ou diminua muito em tamanho e representatividade uma coisa é certa, a equipe SKY mudou o ciclismo tornando-o muito mais técnico e profissional.

 

Branding “The Line” para a equipe Sky no Tour de France de 2015 – Tradução: Pelote

O ciclismo teve fases com equipes fantásticas marcando gerações, foi assim com a Moltene de Merckx nos anos 70, a Renault de Hinault nos anos 80 e finalmente com USPS nos anos 2000.  Todas tiveram sua importância e relevância para o ciclismo mudando de certa forma o jeito de competir. A equipe Motorola nos anos  90 introduziu o rádio de comunicação de duas vias, até aquele momento o ciclista apenas ouvia informações e ordens mas não tinha a possibilidade de retornar para equipe sua posição, condição ou problema, a partir de 2002 o rádio de comunicação de duas vias passou a ser padrão do pelote. A equipe Sky terá sempre uma frase como emblema, frase essa dita no auge dos jogos olímpicos de 2012 em Londres:

 

 

Origem e Formação da Equipe Sky

Falar sobre a Sky é falar sobre o ciclismo britânico, assim voltamos um pouco no tempo para lembrar que antes de Dave Brailsford o ciclismo britânico tinha apenas uma medalha de ouro no ciclismo olímpico em quase 100 anos. Em 2003 Brailsford tornou-se diretor da seleção britânica de ciclismo e logo no ano seguinte a equipe obteve duas medalhas de ouro. Então Brailsford implantou sua mentalidade com investimentos pesados em toda plataforma de ciclismo olímpico. Como resultado em 2012 o Reino Unido conquistou 12 medalhas nos jogos olímpicos sendo 8 delas de ouro. Em paralelo Brailsford desenvolveu um segundo projeto, dar ao Reino Unido um vencedor do Tour de France, seu amigo pessoal James Murdoch, filho do fundador da operadora de TV a cabo SKY apoiou a ideia e juntos idealizaram mais de um patrocínio, a operadora de TV criou uma equipe de ciclismo, nascia assim em 2010 a equipe SKY. O senso de equipe e forma de competir passaram pela filosofia dos ganhos marginais:

 

“Todo princípio vem da ideia de que se você repensar tudo o que já sabia sobre andar de bicicleta e então melhorar em 1% você conseguiria um aumento significativo ao colocar tudo junto”

 

A celebre frase foi dita durante os jogos olímpicos de 2012 e tornou-se padrão para a seleção de ciclismo britânica e para a equipe Sky. E sem dúvidas é um dos principais legados da equipe, que passou a buscar melhorias em todos equipamentos e componentes do ciclismo porém o grande fator foi transformar os ganhos marginais não só num processo técnico mas em uma filosofia. Assim a grande estrela o ciclista passou também por esses ganhos marginais. Esse processo eficiente começou na própria seleção do talento, não bastava ao ciclista ser um vencedor nas categorias de base e sim ter a mentalidade vencedora. Do grupo de 35 ciclistas que compõem o elenco da SKY para 2019 quatro deles são membros originais da equipe em 2010: Chris Froome, Geraint Thomas, Ian Stannard e Ben Swift. Com o orçamento da SKY era possível fazer um time dos sonhos mas a equipe investiu pesado primeiro em desenvolvimento.

“Ganhos marginais são mais que um processo, é uma mentalidade”

Quão profundos podem ser os ganhos marginais? A equipe Sky elevou essa questão para um patamar além do plano de corrida, chegaram a pesquisar por um travesseiro que garantisse aos atleta o melhor sono, uma especialista ensinou aos ciclistas como lavar as mãos de modo a ter a pele menos esfoliada. Assim desde o tipo do grão do café expresso tomado pelos ciclistas até o molde do capacete foram testados, avaliados e melhorados. Todo processo fisiológico foi estudado e aperfeiçoado para obter o melhor resultado. Toda essa inspiração adveio da utilização de métodos de pequenos ganhos já utilizados em outros esportes como a Formula 1. Essa mentalidade permitiu ensinar em uma linguagem simples o caminho do sucesso onde pequenos mas significantes melhorias passaram a fazer diferença.

Não sei como será a temporada 2020 da SKY mas uma coisa posso afirmar, em 2019 a SKY jogará mais pesado do que nunca para vencer tudo e a todos. E sabe o melhor? Isso deixa um pouco de lado os escândalos envolvendo o pacote de Wiggins no Tour de 2012 e até o caso do Salbutamol de Froome na Vuelta de 2017, a SKY tem no ciclismo um lugar especial na galeria de vencedores.

 

 

 

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