Você já pensou em pular de um carro a 60km/h?

Hoje é o dia mundial sem carro, chegada da primavera no hemisfério sul.

Para lembrar da importância da conscientização sobre o uso otimizado do transporte e o Pelote destaca uma das muitas personalidades do ciclismo na última década.

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O ciclismo é um esporte estúpido. Na próxima vez que estiver em um carro viajando a 60km/h, pense como seria pular dele, nu claro. É mais ou menos assim quando nós caímos. 

Se você é iniciado no ciclismo provavelmente conhece a história de David Millar, e provavelmente esta chegando a hora do seu treino da tarde, melhor correr! Se não conhece o pelote traz essa mini biografia fora de ordem.

Hoje Millar tem uma marca de roupas de ciclismo a chpt3 e busca fundos para um filme sobre ciclismo profissional. O escocês grandalhão de 1,92m venceu em sua carreira quatro etapas do Tour de France, cinco na Vuelta e uma no Giro. Em 2003 Millar ganhou o mundial de contra relógio, destaque na mídia a possibilidade de entrar para o time britânico que já treinava para os jogos olímpicos, Millar era formado na Cofidis e tinha muito prestígio na equipe.

Ai veio a queda! Em 2004 jantava em um restaurante próximo a charmosa praia de Biarritz na França quando três policiais franceses o escoltaram para seu quarto de hotel, lá encontraram duas seringas e ele foi imediatamente preso, após algumas horas veio a confissão, que em acordo com as regras da UCI equivale a um positivo de doping, lhe tolhendo o título mundial aditivado, além da pena de dois anos a maior marretada veio da seleção britânica, banição perpétua. Millar marcou a época como o primeiro piloto da elite mundial a falar abertamente do uso do doping no ciclismo, de demônio a pregador da paz e assim começou a segunda parte de sua carreira pela Garmin Sharp, vencer limpo. Escreveu a biografia “Racing through the Dark” ou Correndo pela escuridão.

Penso que o esporte simplesmente fodeu com minha cabeça.

Em 2011 todo esse trabalho começou a ser recompensado, Dave Brailsford diretor de performance do ciclismo britânico colocou Millar na equipe que disputou o mundial de ciclismo, vencido por Mark Cavendish. Millar construiu uma reputação solida na Garmin como capitão, um especialista em trabalhar na fuga, o ano seguinte o foco era o último Tour que virou o livro “The Racer. O grande sonho eram as olimpíadas de Londres, mas para tal a pena de afastamento perpétuo precisava ser revista, e Brasilsford – que dizem era quem jantava com Millar quando foi preso – passou a pressionar o comitê olímpico britânico, Cavendish disparou mísseis verbais a favor do colega e apenas poucas semanas antes do início dos jogos a corte de apelação no esporte determinou que a pena anterior era draconiana e reverteu.

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Millar não ganhou uma medalha, a vitória naqueles jogos ficou com Vino em sua performance mais memorável na carreira, Millar foi o penúltimo a completar a prova juntamente com Chris Froome, ainda correu profissionalmente mais duas temporadas e começou o terceiro capítulo de sua trajetória nome de sua marca, trabalhando no time britânico como mentor de jovens, orientando não só para atingirem o melhor potencial esportivo mas também em como lidar com a pressão pelo sucesso e o caminho do doping.