Cromoly um pouco sobre as bicicletas de aço!

O tempo passa e ele fica, os fãs de quadros das mais diversas ligas de aço desde a True temper até as mais delicadas ligas cromoly sempre exaltam as qualidades do material que por quase um século dominou o ciclismo e foi paulatinamente substituído pelo alumínio e mais recentemente pela fibra de carbono.

Com o lançamento da Caloi 120 anos com tubulação em aço 4130 o Brasil entra no crescente movimento da retomada no uso do aço para construção de bicicletas de estrada. Antes restrito a fabricação artesanal por construtores pequenos como a Cardoso Cycles de São Paulo ou a República da Bicicleta de Porto Alegre, a reintrodução do material na marca de maior exposição e líder de mercado no país é sem dúvida um marco.

Com as rodas, grupo e demais peças que compõem a bicicleta sofrendo um processo de emagrecimento acentuado nos últimos anos, ficou mais acessível montar uma bicicleta com componentes leves já mais próximos dos 6800 gramas permitidos pela UCI em competições mesmo com um quadro de aço.

A equipe continental Madison Genesis da Inglaterra competiu em 2015 com quadros de aço, com tubulação Reynolds feita pela Genesis. Diversas marcas artesanais ou semi artesanais tem modelos belíssimos a venda com peso final da bicicleta ao redor dos 9kg. Dentre as marcas de maior renome, além claro das italianas Colnago e De Rosa que mantem linha em aço, a Kona lançou a Roadhouse e a Wheelhouse, com quadro em tubulação Reynolds 853 e freio a disco.

 

Vantagens do aço

E quais motivos para escolher uma bicicleta de aço? Os quadros de aço foram desenvolvidos por décadas a fio no ciclismo internacional, a adoção do alumínio é algo relativamente recente lembrando que em competição a transição foi quase direta do aço para o carbono pois utilizando ligas muito leves esses quadros ficavam mais viáveis que os de alumínio. A durabilidade do aço é extrema, mesmo quadros com 30, 40 anos de idade e mal cuidados ainda são recuperados sem perda considerável de função. Os quadros de aço também levam vantagem em caso de pancadas e pequenas quedas, pois podem ser reparados com menor dificuldade do que os de carbono, motivo do uso extenso por ciclo-turistas. Na condução da bicicleta a bicicleta em aço amortece a transferência do impacto no relevo gerando conforto ao ciclista em relação especialmente ao alumínio. As desvantagens são basicamente duas, o peso pois os quadros mais leves em aço beiram 1.200g enquanto os mais populares chegam a 2.300g, e também o fato deles enferrujarem.

Nomenclaturas

Há uma grande confusão dos entusiastas no uso de nomenclatura e tipo de material e marcas. Cada fabricante determina em sua linha modelos conforme tipo do aço, do trefilamento e de tratamentos específicos. Primeiramente não é bicicleta de “ferro” e sim de aço, já que o aço é uma liga metálica formada por ferro e carbono, podendo na liga ter outros elementos como crômio, molibdênio, vanádio e nióbio.

Assim é comum a nomenclatura trazer elementos das propriedades do aço, sejam químicas, físicas ou tratamento especial.

O tipo de aço usualmente é especificado a partir do catalogo do fabricante e varia em função do percentual de crômio e molibdênio entre outros elementos na liga de aço. A Columbus por exemplo tem em sua linha 2018 o aço Columbus SL Niombium. Assim as abreviaturas e nomes comerciais Cromo, Cromoly, Cro-mo.

Um processo de trefilamento do tubo comum confere maior resistência proporcionando ao fabricante adotar espessuras menores, dai surgem as opções Straight, Single Butted, Double Butted, Triple Butted e Quad Butted, sendo o Straight o mais pesado e o Quad Butted o mais leve, na imagem abaixo a ilustração mostra como o straight tem a mesma espessura por toda sua extensão, o single butted tem um estreitamento, o double duas e assim por diante, a mesma nomenclatura é usada também em raios.

Finalmente o tratamento térmico do aço costuma ser especificado, alguns passam por um processo de têmpera no qual o aço é aquecido a determinada temperatura e resfriado afim de aumentar sua resistência, em inglês “Heat-Treatment”  e também pode ser tratado a frio, como o Reynolds 921 que cuja especificação indica: “Cold Worked High Strengt”. Além do tratamento térmico alguns fabricantes buscando excelência promovem tratamentos pré-pintura como banho em nitrato de titânio, sendo que alguns artesãos fazem o banho ou tratamento térmico já no quadro montado.

 

A tabela abaixo mostra a grade de resistência e dureza da tubulação feita pela Reynolds desde o alumínio até o topo de gama 953:

Principais fabricantes de tubulações para bicicletas:

Columbus, italiana fundada em 1919.

Deddacciai, italiana fundada em 1992,

Reynolds, inglesa fundada em 1889.

Tange, japonesa fundada em 1920.

TrueTemper, americana com origem no século 18, renomeada em 1945 e deixou de fornecer para bicicletas em março de 2017.

 

 

 

 

 

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