Corrida de bicicleta para pebas, o dicionário!

Luiz Papillon 1

Se você tem pouco envolvimento com o ciclismo, algumas palavras usadas por ciclistas mais experientes ou mesmo durante a narração de provas na TV podem deixar algumas dúvidas de significado. Devido a grande imprensa dar pouco espaço ao ciclismo, aqui no Brasil a maioria do público não sabe como funciona uma corrida de bicicleta e vamos elencar alguns pontos básicos para melhor compreensão.

A corrida de bicicleta é uma das disputas mais emocionantes no mundo do esporte. São objetivos diferentes, estratégias além da chance da sorte e do azar.  As mais famosas provas como o Tour de France são disputadas em 21 corridas e existem provas chamadas de clássicas como a Paris Roubaix que são disputadas em um dia.

Pelotão

O pelotão ou pelote como esta página é o grupo de ciclistas, derivado do termo militar que determina um grupo de soldados ou combatentes sob o comando de um oficial. Nas provas de etapas, esse líder é quase sempre identificado por uma camisa de cor diferente, “o camisa amarela” no Tour de France ou “o camisa rosa” no Giro d’Italia são exemplos.

Pelote passa em frente a pirâmide do Louvre em Paris Etapa 21 – Tour de France 2019 – A.S.O.

Gruppetto

É o conjunto de ciclistas que se unem fora do pelote com basicamente dois objetivos, se estão a frente do pelote eles são chamados de “fuga” ou “escapados” uma vez que estão fugindo do grupo principal, já se estão atrás do pelote são chamados de “sobrados”.

Andar de Roda

Quando um ciclista pedala atrás de outro, ele se aproveita do vácuo gerado pelo ciclista que vai a frente para economizar energia. E em provas com 5, 6, 7h sobre uma bicicleta, economizar energia é fundamental. Por isso as estrelas se escondem no pelote para salvar energia. Já a fuga ou perseguição torna-se uma fila indiana na busca por salvar energia. E daí vem outro termo muito usado, o “chupim de roda” que como você já pode imaginar é o ciclista que não reveza  a frente do pelote “de frente para o vento” e apenas próximo a linha de chegada lança seu ataque para ultrapassar o adversário.

Escalera

A escalera (escada em espanhol) é justamente o revezamento para permitir que um grupo de ciclistas consiga salvar energia e ao mesmo tempo ir o mais rápido possível. Um ciclista pedala por determinado tempo na frente, dá lugar ao que vem atrás e vai para o final da fila.

Echelon

Mais um termo derivado do uso militar. A formação echelon é quando unidades são dispostas em diagonal. No ciclismo isso acontece quando há vendo cruzado em um trecho da estrada. Assim os grupettos separam-se e ficam dispostos de forma que os líderes possam se proteger do vento. Ou seja, o echelon é uma escalera na diagonal.

Gregário, líder, capitão, sprinter, escalador, especialista em contra relógio

As especialidades de cada ciclista em uma equipe são direcionadas para o objetivo em comum. Assim a cada tipo e momento de prova a estratégia define a função de cada ciclista.

Gregário: No francês domestique, no italiano gregario. É o ajudante é o ciclista que serve o seu companheiro com água, alimentos, que fica a frente do vento se desgastando para que o companheiro possa salvar energia e assim atingir os objetivos da equipe.

Líder: O líder dentro da equipe normalmente é um ciclista mais experiente que identifica situações de prova e alerta seus colegas sobre momentos de ação ou a necessidade de mudança de tática.

Capitão: É o ciclista escalado para atingir o objetivo máximo da equipe naquela prova. Sua escolha é em função do tipo de prova disputada, é nesse ponto que entram as especialidades.

Sprinter: Em português a tradução é velocista, mas comentaristas acabaram difundindo o termo em inglês. É o ciclista que consegue aplicar grande potência em um espaço curto. Normalmente são mais fortes e pesados.

Escalador: O próprio nome já indica, são os ciclistas que sobem melhor as montanhas e normalmente são muito magros.

Especialista em Contra Relógio: É o ciclista que consegue entregar muita potência de forma constante por muito tempo.

Voltista, GC: É o capitão para voltas de duas ou mais etapas. É aquele ciclista que mescla melhor as especialidades com a resistência.

Gregariar

Cada prova ou etapa tem um objetivo claro definido em cada equipe, assim especialmente em corridas por etapas há diferentes características exigidas em cada etapa. Por isso em uma etapa com muita subida o velocista faz o papel de gregário, já em etapas de chegada “em linha” (planas) o  escalador faz o papel de gregário.

Paolo Bettini, bicampeão mundial gregariando | foto @Belga

Essa é a forma de revezar responsabilidades durante uma prova, além disso, os gregários também vão para frente do pelote seja para aumentar a velocidade, seja para diminuí-la, cadenciando a prova.

Tipos de prova de ciclismo

Clássicas, são as provas de um dia onde o objetivo das grandes equipes é a vitória e das pequenas equipes mostrar seus patrocinadores.

Voltas, são as provas com etapas, no mínimo três e no máximo vinte e uma etapas. Quando a volta tem pelo menos cinco etapas, uma disputa contra o cronômetro é obrigatória e é chamada de “contra o relógio”. A prova contra o relógio pode ser individual ou por equipes. Na modalidade individual o ciclista não pode utilizar do vácuo de um adversário ou colega de equipe. Já na modalidade por equipe, apenas o vácuo entre integrantes da mesma equipe é aceito. Para definir o vencedor na modalidade contra o relógio por equipe, é parado o cronômetro na passagem da primeira roda do quarto ciclista da equipe a cruzar a chegada.

Tour, Giro e Vuelta.

Embora a tradução seja a mesma, Tour, Giro e Vuelta são referências as três grandes voltas do ciclismo, o Tour de France (Volta a França), Giro d’Italia (Volta a Itália) e Vuelta a España (Volta a Espanha). São três competições de 21 etapas percorrendo sempre mais de 3.000km e sem substituição.

O peba e o galático

Bom o peba é aquele ciclista que ou está iniciando e não entende muito do que acontece ao pedalar ou mesmo um ciclista mais fraco. Por isso muita gente faz memes satirizando o “peba” que saiu para pedalar sem câmara reserva ou sem ferramentas, ou mesmo aquele ciclista que tem dificuldade e empurra em uma subida. Já o galático tem origem no futebol, nos anos 90 o time espanhol Real Madrid teve uma constelação de craques que foram chamados de “galáticos” e o galático é justamente o oposto do peba. É o ciclista mais forte, mais resistente e que é difícil acompanhar.

E não se iluda, o galático de hoje foi o peba de ontem, tudo no ciclismo vem através de muito treino e perseverança.

 

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