O capacete no pelotão!

Semana passada deu o que falar a notícia sobre o uso de capacetes certificados em São Paulo. O ciclismo sempre foi uma prática ligada a liberdade, desde cedo nas primeiras pedaladas o sentimento de liberdade leva a criança a ter na bicicleta por muito tempo sua mais próxima companheira.

Por mais que existam campanhas para o uso do capacete, especialmente fora do Brasil, o ciclista não adota largamente seu uso. Mesmo em locais como a Holanda onde a bicicleta é o principal meio de transporte, o uso é baixíssimo e nem por isso há muitos acidentes.

ultrectc

Claro que é muito distinto pedalar na hora do rush em Utrecht do que descer uma serra a 80km/h competindo pela camisa amarela no Tour de France.

O uso do capacete de ciclismo em competições oficiais de ciclismo de estrada é relativamente recente, durante os anos 90 a UCI tentou impor o uso obrigatório que levou até a uma ameaça de greve na Paris-Nice de 1991.Marco-Pantani

 

Alguns anos mais tarde a trágica morte de Andrei Kiviliev na Paris-Nice de 2003 (Cenas fortes no vídeo) na qual toda equipe Cofidis vestiu o capacete para cruzar a chegada (veja aqui o vídeo), serviu de alicerce para uma ação mais dura da UCI, assim o Giro d’Italia de 2003 foi a primeira competição World Tour com uso obrigatório de capacetes pela UCI (União Ciclística Internacional).

Atualmente os capacetes são requisito da UCI para competições, a grande maioria dos ciclistas de estrada utilizam o capacete justamente por se colocarem em situações de alta velocidade. Há diversos testes e padrões de certificação, a mais utilizada

Quando vemos um legislador tentar impor uma regulação com exigências em busca do “bem comum” parece que ficamos numa situação de abrir mão em algum ponto da liberdade para o tal “bem comum”, ainda mais quando para fazer valer essa preocupação com o bem estar do cidadão há a opção de coação por força policial, será que ai já não ultrapassa um pouco o “bem comum”? É como se alguém chegasse e dissesse: – Olha, para sua segurança você precisa sair dai, se não sair vou tirar você na porrada!

Algumas cidades passaram leis que impedem que jovens possam andar sem capacete, Los Angeles é uma delas e houve casos onde o jovem foi detido a força pela polícia por andar sem o capacete que o tornaria mais seguro. Confira o vídeo aqui.

Aqui no pelote entendemos a necessidade e segurança de utilizar um capacete, embora discordemos do uso de coação estatal para efetivar seu uso, mas vamos falar um pouco de como os capacetes são certificados e porque investir em um.

As principais certificações utilizadas em capacetes derivam de requisições da CPSC (Comitê de segurança de produtos de consumo dos EUA) que utilizam a norma SNELB90A, que indica uma série de destes de queda que o capacete passa para ter a certificação, com absorção de impacto a 2,0m de queda abaixo de 200G o capacete é aprovado e os melhores enquadram-se abaixo de 150G. Com pequenas variações vemos dentro dos capacetes as certificações europeias (CE EN1078), australianas (AS) e nova-zelandesas (NZS).

O vídeo abaixo demonstra os testes:

 

E aqui um capacete não certificado comparado a um certificado:

 

Em nosso próximo artigo, vamos falar sobre como escolher um capacete para ciclismo.