25 anos da vitória da Caloi na Paris Roubaix

Neste domingo acontece a Paris-Roubaix, terceira monumento da temporada, e comemoramos também os 25 anos da vitória da Caloi na Paris Roubaix. Muitos conhecem a história da Caloi Motorola entre 1995 e 1996 mas a história da Caloi no ciclismo profissional começou dois anos antes pela Lotto que hoje chama-se Lotto Soudal. Sendo o legado da Caloi no ciclismo nacional muito maior, uma história com mais de 40 anos fomentando o ciclismo.

Caloi e o ciclismo brasileiro uma história de unha e carne

A história da Caloi se funde com o ciclismo brasileiro. Em 1955 Bruno Caloi assumiu o lugar de seu pai na direção da empresa e passou a fomentar o ciclismo de base paulista e brasileiro. Ao longo das décadas seguintes a equipe Caloi foi uma das mais fortes do continente criando campeões e inspirando ciclistas. A Caloi chegou até entrar no projeto brasileiro da Formula 1, patrocinando ainda que brevemente a equipe Fittipaldi em sua derradeira temporada.

Fittipaldi F8 – 1982

As crises econômicas dos anos 80 e 90 afetaram a capacidade da empresa em manter-se no mercado e em 1999 o Sr. Bruno Caloi transferiu a empresa para Eduardo Musa que posteriormente consolidou a venda da marca e empresa para o conglomerado Dorel. Com a mudança de direção a marca deixou o ciclismo para focar no Mountain Bike.

As histórias da equipe Caloi deixamos para outra hora, falo hoje da era internacional da Caloi. O Brasil acabava de entrar na abertura econômica e queria ganhar o mundo. Nada mais interessante que entrar pela porta da frente, ou seja por uma equipe de ciclismo profissional. Ai que entra Eddy Merckx, a Caloi passou a injetar dinheiro na fábrica belga do maior ciclista de todos os tempos e receber quadros para montagem no Brasil. Assim uma coisa levou a outra e a marca Caloi chegou ao ciclismo profissional pelas mãos de Eddy Merckx.

Caloi Lotto

A Caloi buscou a internacionalização patrocinando uma das maiores equipes belgas da época, a Lotto (atual Lotto Soudal), assim em 1993 a Lotto Caloi passou a correr com quadros Eddy Merckx com a marca Caloi e recebeu Wanderley Magalhães Azevedo como ciclista. A equipe conquistou quatro vitórias em 1993.

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Ao final de 1993 a equipe recebeu o apoio da Vetta, e iniciou sua fase internacional com a contratação entre outros de Mauro Ribeiro também patrocinado pela Caloi. Mauro Ribeiro é até o momento o único brasileiro a vencer uma etapa do Tour de France em 1991.

Aqui uma foto de divulgação da Caloi Aluminium com a dupla Wanderlei e Mauro:

Wanderley Magalhães e Mauro Ribeiro apresentam a Caloi Aluminium em 1994

Andrei Tchmil o ciclista multinacionalidade

Além de Mauro, chegou a equipe também o russo naturalizado moldávio Andrei Tchmil. Uma curiosidade sobre Tchmil é o fato dele ter oficialmente tido várias nacionalidades:

  • Soviético Até 1991
  • Moldavo entre 1991 e 1995
  • Ucraniano entre 1995 e 1998
  • Belga a partir de 1998

Andrei nasceu em Khabarovsk então União Soviética e hoje Rússia, sua família mudou-se para Moldavia ainda durante o regime soviético. Durante a abertura política soviética ele foi autorizado pelo governo a correr profissionalmente e iniciou no ciclismo em 1989. Após o colapso soviético Tchmil tornou-se Moldavo e posteriormente ucraniano e finalmente belga. Entre suas vitória estão duas monumentos Paris Roubaix 1994 e Milão San Remo 1999 além de clássicas como a KBK, E3, Paris-Tours e Dwars Door Vlaanderen. Após encerrar a carreira profissional Andrei Tchmil chegou a ser ministro dos esportes na Moldávia e gerente da Katusha.

A diabólica Paris Roubaix 1994

A Paris-Roubaix de 1994 foi uma prova terrível, chuva e neve durante toda semana e a região de Aremberg estava toda sob lama. No dia da prova neve e chuva marcaram o início de prova a Lotto colocou Andrei Tchmil na fuga logo no começo de prova atacou e foi solo por 67km vencendo com 1’13” de vantagem sobre Fabio Baldato na prova que o L’Équipe classificou com o realmente infernal!

A bicicleta usada pela Caloi era de fato uma Merckx MX Leader com a troca do garfo tradicional por uma suspensão Rock Shox Titanium SL, uma peça de apenas 1.150g isso 24 anos atrás!

 

Andrei Tchmil em meio a Paris-Roubaix 1994

 

 

Motorola Caloi

A experiencia da Caloi no ciclismo profissional seguiu no ano seguinte passando o patrocínio para Motorola Cycling Team no ano de 1995. Comercialmente a Caloi havia aproveitado o bom momento da economia brasileira para expandir para EUA, abrindo um escritório em Orange Park na Florida, próximo a Jacksonville.

A Motorola que tinha o então jovem Lance Armstrong como grande promessa além de nomes como George Hincapie, Fabio Casartelli e Sean Yates. Naquela temporada a equipe venceu 12 provas entre elas a 9ª Etapa do Tour de France logo após a morte de Casartelli com Lance Armstrong. Até hoje a loja-bar do texano mantem a Caloi pendurada entre seus troféus.

Merckx Mx Leader
Caloi by Eddy Merckx pendurada no Mellow Johnny

Mantendo a mesma pintura e grafismo, a bicicleta foi utilizada em 1996 com 13 vitórias da equipe, sendo 7 com Lance Armstrong incluindo a Flèche Wallonne. No final daquele ano Armstrong foi diagnosticado com câncer testicular, afastando-se do ciclismo até 1998. A equipe Motorola foi fechada e os remanescentes se transferiram em maioria para a US Postal que utilizou a mesma licença da Motorola, mas ai é papo para outro texto.

Caloi 10 edição 120 anos!

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